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Energia Fotovoltaica
Insolação e grande reserva de quartzo podem levar o Brasil à
elite do setor, afirma estudo prospectivo em andamento no CGEE


Privilegiado pela alta incidência de insolação em seu território e pelas reservas de quartzo para produção de silício grau solar, usado nos painéis de captação, o Brasil tem condições de figurar em situação bastante confortável quanto à geração energética até a metade deste século. Isso é o que sugere o Estudo Prospectivo para Energia Fotovoltaica, em andamento no Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

O Brasil tem potencial para se consolidar como uma das principais lideranças no setor de energia solar, alternativa de baixo impacto ambiental que deverá gerar milhões de empregos nos próximos anos. Segundo organismos internacionais, o mundo precisará de 37 milhões de profissionais para atuar no setor de energia renovável até 2030. Para alcançar essa posição entre os líderes, o Brasil deverá seguir uma série de recomendações que estão sendo elaboradas ao longo desse estudo prospectivo. A lista inclui modernizar laboratórios, integrar centros de referência e investir em desenvolvimento de tecnologia para obter energia solar fotovoltaica a baixo custo. Também precisará estabelecer um programa de distribuição de energia com sistemas que conectem casas, empresas, indústria e prédios públicos.

“Um dos objetivos do estudo é identificar as oportunidades e desafios para a participação brasileira no mercado doméstico e internacional de energia solar fotovoltaica”, afirma o assessor técnico do CGEE, Elyas Ferreira de Medeiros, coordenador do estudo. De acordo com Medeiros, por intermédio desse trabalho será possível construir e recomendar ações estratégicas aos órgãos de governo, universidades e empresas, sempre articulados com a sociedade, para inserir o país no segmento de energia fotovoltaica. As três fases do estudo, que incluem coleta de informações, produção de conhecimentos e formulação de estratégias para o setor, estão previstas para serem concluídas em julho de 2009.

As vantagens da energia solar são muitas e os números, superlativos. Em um ano, a Terra recebe pelos raios solares o equivalente a 10.000 vezes o consumo mundial de energia no mesmo período. “No entanto, algumas barreiras ainda precisam ser vencidas para que sua ampla utilização seja viável”, pondera Fernando Rizzo, diretor do CGEE e supervisor do trabalho.

Políticas de desenvolvimento
O Brasil, atual 10º colocado no ranking mundial de produção de energia, não precisa necessariamente melhorar sua posição nessa lista. “A maneira de enxergar o setor está mudando”, afirma Rafael Shayani, consultor do estudo. “A tendência é valorizar aqueles que utilizam a energia da forma mais eficiente possível, com o mínimo de desperdício e também de maneira ecologicamente correta”, diz.

A eficiência faz parte das recomendações preliminares do Comitê de Coordenação do Estudo, integrado pelo CGEE e 21 parceiros, incluindo universidades, órgãos do governo, instituições e empresas ligadas ao setor energético. Entre essas recomendações, o grupo destaca também a necessidade de instituir políticas de desenvolvimento tecnológico, com investimentos em pesquisa sobre o silício grau solar e sistemas fotovoltaicos.

A primeira fase do trabalho já constatou a necessidade de fomentar o desenvolvimento de uma indústria nacional de equipamentos de sistemas produtivos com alta integração, além de incentivar a implantação de um programa de desenvolvimento industrial. O comitê recomenda, ainda, a formação de profissionais para instalar, operar e manter os sistemas fotovoltaicos.

Metodologia
O estudo prospectivo será desenvolvido em três fases, visando, ao final subsidiar políticas públicas no setor de energia solar fotovoltaica. A metodologia adotada inclui oficinas de brainstorming presencial, consultas presenciais e a distância, oficinas de validação e visitas técnicas para identificar as possibilidades de inovações. Serão também realizados workshops com especialistas para desenvolver as perspectivas e estratégias, além de traçar rotas tecnológicas para viabilizar as recomendações do estudo. Na conclusão, os envolvidos produzirão relatórios de situação, de perspectivas estratégicas e de ações de curto, médio e longo prazo. Também será elaborada uma publicação com os resultados das três fases, para apropriação dos resultados no âmbito da CT&I em energia no Brasil e para o apoio dos órgãos de financiamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) pré e pós-competitivo.
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