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Encontros Estratégicos
Economista apresenta dados do desenvolvimento social no
Brasil nos últimos 38 anos e alerta para os efeitos da crise global


O Índice de Desenvolvimento Social (IDS) foi o tema do primeiro encontro em 2009 da série Encontros Estratégicos, que o CGEE promove há mais de um ano. Neste Encontro, ocorrido em março, o economista Roberto Cavalcanti de Albuquerque, diretor técnico do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae – Fórum Nacional), com sede no Rio de Janeiro, veio ao CGEE para apresentar o Índice. Roberto, que foi superintendente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 1974 a 1979, criou o Índice para analisar a evolução social no Brasil, por estados e regiões. Seus estudos cobrem o período de 1970 e 2008.

De acordo com a apresentação inicial feita pelo economista, o Nordeste ainda detém os piores níveis sociais do país, mas evolui em ritmo mais acelerado que a média nacional, o que tem reduzido o contraste entre os estados brasileiros. No final, destacou que a crise global representa riscos como escassez de empregos e distribuição de renda mais desigual.

Cinco índices analisados
Albuquerque explicou que o Índice de Desenvolvimento Social (IDS) possibilita obter uma visão sintética do desenvolvimento social no país. “Ele permite construir uma análise agregada de componentes e subcomponentes para orientar estudos setorizados”, afirmou o economista convidado pelo CGEE.

Em sua palestra, Albuquerque apresentou um balanço das taxas de evolução social no Brasil nesses 38 anos, que relacionou às taxas de crescimento econômico no período. O IDS é composto por cinco índices: Saúde, Educação, Trabalho, Rendimento e Habitação. Cada um deles engloba subitens. O de Saúde inclui expectativa de vida e taxa de sobrevivência infantil; o de Educação, taxas de alfabetização e anos de estudo; o de Trabalho, taxas de atividade e ocupação; o de Rendimento compreende o PIB per capita e o coeficiente de igualdade; já o de Habitação abrange acesso à água, energia, geladeira e televisão. Os índices variam em uma escala de 0 a 10.

Cada um dos subindices tem peculiaridades. O de Saúde cresceu mais que o índice total, com média de 2,5% ao ano entre 1970 e 2007, contra os 2,1% do IDS. Educação não deixou por menos, com uma taxa de aumento de 2,6% no mesmo período. Já o índice de Trabalho apresentou instabilidade, atingindo 7,62 em 2007, abaixo dos 8,05 do IDS. O índice de Rendimento, por sua vez, ficou numa situação ainda pior, com 6,70. O de Habitação fechou 2007 com um índice de 9,27%, com crescimento elevado a partir de 2000, o que tem contribuído para reduzir as diferenças entre as regiões do Brasil.

Disparidades no país
Nas estatísticas apresentadas pelo convidado do CGEE, conclui-se que o IDS do Brasil cresceu 115% entre 1970 e 2007. Passou de 3,74 para 8,05, com aumento médio anual de 2,1%. O crescimento ocorreu de forma mais acelerada na década de 1970, quando o índice registrava aumento médio anual de 4,1%. O período foi responsável, sozinho, por 43% da evolução social do Brasil em todos os 37 anos contabilizados. Nessa mesma década, de 1970, o Brasil experimentava um momento de rápido crescimento econômico.

Os piores resultados compreendem os 20 anos que vão de 1980 a 2000. Nessas duas décadas, o IDS cresceu a uma média de 1%. Novamente há uma relação entre desenvolvimentos econômico e social, já que os anos 1980 e 1990 registraram baixas taxas de crescimento econômico. “Mas o índice voltou a crescer no período 2000 a 2007”, lembrou Roberto Albuquerque. A retomada tornou possível atingir um índice de 8,13 em 2008.

Segundo o estudo apresentado pelo economista, os melhores índices de desenvolvimento social do Brasil são verificados, respectivamente, no Distrito Federal, em Santa Catarina e no estado de São Paulo, seguidos pelo Rio Grande do Sul e Paraná. Essas são as cinco unidades da federação que apresentam um IDS considerado de alto desenvolvimento, ou seja, possuem um índice acima de 8.

Os piores índices se concentram no Nordeste, sendo que o estado de Alagoas possui o pior IDS do Brasil, seguido pelo Maranhão, Paraíba e Piauí. Nos estudos de desenvolvimento social, explicou Albuquerque, os índices de 5 até 7,5 medem o baixo desenvolvimento social. De 7,5 a 8, apontam para um nível médio de desenvolvimento social, enquanto acima de 8 representam um alto desenvolvimento social. “O alto desenvolvimento está basicamente no Sul e no Sudeste, o médio desenvolvimento já entra um pouco nos estados do Norte, mas não existe nada de Nordeste nesses dois níveis”, explicou o palestrante.

“É interessante observar que o crescimento do Nordeste é maior do que o brasileiro, que foi 2,1% ao ano, enquanto na Região foi de 3,5%”, destacou Albuquerque. “O Centro-Oeste e o Norte também estão acima da média nacional. Então há uma convergência em termos parciais no desenvolvimento social do Brasil”, disse.

O Índice de Capital Humano (ICH), mostram os números, também auxilia a formar um panorama dos níveis sociais no país. Nesse quesito, pesam a população e o PIB dos estados. O melhor desempenho é alcançado por São Paulo, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os últimos colocados na lista são Roraima, Acre e Amapá.

Com a crise global, ressaltou o economista, “um tempo nublado pesa no horizonte do desenvolvimento brasileiro”, apontando para um fraco desempenho do PIB em 2009 e possível estagnação do PIB per capita. “Os efeitos desse desempenho sobre o desenvolvimento social – em especial sobre o emprego, o rendimento das famílias e a distribuição de renda – podem ser severos, frustrando expectativas e reacendendo desesperanças”, concluiu.
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