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Padrões de Crescimento
Estudo do CGEE e da Cepal analisa seis décadas de crescimento econômico e
compara o desenvolvimento e a evolução de 14 países da América Latina e da Ásia


O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) concluiu um estudo inédito sobre o desenvolvimento econômico de 14 países asiáticos e latino-americanos no período de 1950 a 2007. O documento, produzido em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), contém análise de especialistas brasileiros que permitem compreender, por exemplo, o crescimento acelerado da China, a estagnação da Venezuela e a industrialização da Coreia do Sul.

“Padrões de desenvolvimento econômico: um estudo comparado de 14 países” analisa e compara o desenvolvimento econômico das sete maiores economias da América Latina e do Caribe (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela), e de seis entre as maiores economias em desenvolvimento da Ásia (China, Coreia, Filipinas, Índia, Indonésia e Tailândia), além da Rússia, único país incluído na análise cujo território se estende até a Europa. O estudo teve duração de aproximadamente um ano e meio.

Os sete latino-americanos avaliados concentram 77% da população e quase 90% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe. Já os seis asiáticos detêm 76% da população e cerca de 40% do PIB do continente. “O documento representa mais que uma base de dados completa, pois contempla uma análise aprofundada desses dados”, afirma o diretor do CGEE e supervisor do projeto, Antonio Carlos Galvão. “Pode ser o início de um grande debate sobre economia do desenvolvimento entre especialistas desse conjunto especial de países”, diz.
Para o lançamento do livro, com data a ser definida, o CGEE organizará um seminário internacional, em Brasília, com a presença de representantes dos países e tradicionais analistas da economia do desenvolvimento. O estudo comparativo do CGEE e da Cepal analisa as formas específicas com que cada país exibiu capacidade de investir e crescer de forma sustentada ao longo das últimas décadas, ou deixou de fazê-lo por um período longo. O modelo analítico foi concebido com o objetivo de equiparar as distintas bases de dados de forma a permitir a comparação rigorosa entre as 14 nações. A partir deste alicerce único e compatível, tornou-se possível identificar semelhanças e diferenças entre os países.

O estudo, sob a coordenação técnica do economista Ricardo Bielschowsky, da Cepal, distingue três períodos. Primeiro, o de crescimento com industrialização, de 1950 até os anos finais da década de 1970 ou começo da década de 1980. Na sequência, o período imediatamente posterior, até 2002, em que o crescimento com industrialização se restringiu aos países asiáticos (à exceção das Filipinas), e em que o Chile também cresceu pela via do modelo primário-exportador.Por fim, o período de 2003 a 2007, em que todos cresceram, amparados pela forte expansão da economia mundial. Neste último período, o crescimento dos latino-americanos e da Rússia foi puxado pelas exportações de commodities, enquanto os asiáticos cresceram utilizando-se das exportações de bens industriais.

Asiáticos mais fortes
O documento mostra que, de 1950 a 2006, o crescimento dos asiáticos foi superior aos latino-americanos. As taxas de expansão dos dois países que menos cresceram na Ásia (Índia e Filipinas) são próximas às dos dois que mais cresceram na América Latina – Brasil e México. Três países asiáticos (China, Coreia e Tailândia) se expandiram a uma taxa média bem superior aos outros. E três latino-americanos (Argentina, Venezuela e Peru) tiveram taxas de expansão modestas em comparação aos demais. No período de 2003 a 2008, todos os países estudados voltaram a crescer de forma mais acelerada.

Utilizando uma metodologia que teve como ponto de partida a coleta de dados internacionais, de órgãos como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), o livro revela que os países de maior crescimento do produto foram também os de maior expansão do investimento. Ou seja, é possível verificar uma estreita correlação entre crescimento e ajuste da capacidade produtiva.

O México, país que recebeu bilhões de dólares de investimentos dos Estados Unidos, nos últimos anos se tornou refém dessa situação cômoda. “O país se encontra em uma encruzilhada, pois é muito dependente da economia norte-americana. Os investimentos externos são um fator determinante na história desses países”, explica o assessor do CGEE Hugo Paulo Vieira, líder do estudo.
“O Brasil vive uma situação mais confortável que a Venezuela, por exemplo, que depende da produção de petróleo, praticamente seu bem único. Nas últimas décadas, o Brasil harmonizou os investimentos em serviços e indústria. Essa prática trouxe maior equilíbrio para a economia”, diz. Por outro lado, lembra Vieira, o Brasil tem capacidade de produção científica, mas dificuldade de gerar riqueza a partir desse conhecimento.

O fenômeno chinês
“A Ásia se beneficiou da expansão japonesa, em um primeiro momento, e do crescimento chinês, nas últimas décadas”, afirma Antonio Carlos Galvão. “Além disso, os Estados Unidos patrocinaram a Ásia como nunca fizeram com a América Latina”, diz.

Particularmente sobre a China, Galvão menciona que o país constituiu uma exceção no contexto da globalização. Para o diretor do CGEE, os países hegemônicos se beneficiaram diretamente da pujança da economia chinesa e, simultaneamente, fizeram vistas grossas à subversão de princípios de ordem global no país, seja no campo da propriedade industrial, das relações monetárias e cambiais, das normas trabalhistas ou em outros aspectos. “A China agregou 400 milhões de consumidores em 30 anos. É mais que o dobro da população do Brasil”, diz. O desafio deles agora, lembra Galvão, é alcançar a autonomia tecnológica, como ressalta o capítulo dedicado à China.

Na conclusão, é possível identificar três semelhanças básicas entre os países, todas referentes à transformação estrutural. Primeiro, todos passaram por um processo de industrialização. Segundo, todos atravessaram um intenso processo de urbanização, ainda que os latino-americanos o tenham feito antes e de forma mais rápida e descontrolada que a maioria dos asiáticos. E, finalmente, em quase todos os países, houve oferta praticamente ilimitada de mão de obra.
“Percebemos, depois das análises, que a inovação é mais relevante em estágios mais avançados de desenvolvimento”, afirma Galvão. O economista explica, ainda, que a inovação se encontra sempre associada a uma etapa prévia de realização de expressivos investimentos fixos.

O livro “Padrões de desenvolvimento econômico: um estudo comparado de 14 países” contém centenas de tabelas, gráficos e quadros. O documento está passando por revisão e, quando concluído, deverá ter aproximadamente 700 páginas. Cada país é analisado individualmente por um ou mais especialistas.


Ficha técnica do estudo

Supervisor do estudo: Antônio Carlos Galvão
Líder da ação: Hugo Paulo Vieira
Coordenador técnico: Ricardo Bielschowsky (diretor técnico da Cepal)
Argentina: Matias Vernengo e Alcino Camara
Brasil: Ricardo Bielschowsky e Carlos Mussi
Chile: Álvaro Diaz
Colômbia: Antonio Carlos Macedo
Peru: Fábio Neves Perácio de Freitas e Daniela de Abreu Carbinado
México: João Furtado
Venezuela: Carlos Eduardo de Carvalho
China: Carlos Aguiar de Medeiros
Coreia do Sul: Mariano Laplane
Filipinas: Carlos Schönerwald
Índia: Daniela Magalhães Prates
Tailândia: Mauro Borges Lemos, Thiago Caliari, Márcia Alves Pereira e Verônica Lazarini Cardoso
Indonésia: David Kupfer e Esther Dweck
Rússia: Franklin Serrano
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