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2. Definições Clássicas

Conceituação
   1. Princípios Básicos
   2. Definições Clássicas
   3. Métodos e Técnicas
   4. Leitura recomendada
   5. Glossário
   6. Referências

Quando se fala em prospecção, o primeiro ponto a discutir é de natureza terminológica: em inglês, os termos mais empregados são forecast(ing), foresight(ing) e future studies. Em francês, Futuribles e La Prospective. Algumas vezes, o termocenários/scenarios tem sido utilizado neste sentido, entretanto, a maioria dos autores o tem classificado como sendo um dos métodos ou técnicas utilizados na realização de estudos prospectivos ou estudos do futuro. Technology assessment, ou simplesmente assessment, é um termo relacionado aos estudos do futuro, ao foresight e ao forecast devido ao fato de ser um método pelo qual se procura avaliar os impactos de novos produtos e processos no meio ambiente, nas organizações e na sociedade em geral. Outras denominações também utilizadas, porém em sentido mais restrito e para obter respostas em horizontes de tempo mais curtos são Technological Watch, Veille Technologique, Environmental Scanning e Vigilância Tecnológica.

No Brasil vêm sendo utilizados os termos prospecção, prospectiva e estudos do futuro. No entanto, parece ser mais adequado denominar esta atividade como ‘prospecção em ciência, tecnologia e inovação’ buscando ressaltar a tendência atual de ampliar o alcance deste tipo de estudo, de modo a incorporar elementos sociais, culturais, estratégicos, fortalecendo o seu caráter abrangente que inclui, necessariamente, as interações entre tecnologia e sociedade.

A seguir, algumas definições clássicas destas três grandes áreas que fazem parte dos estudos do futuro:

Foresight

Para Coates (1985)1 a atividade prospectiva se define como um processo mediante o qual se chega a uma compreensão mais plena das forças que moldam o futuro de longo prazo e que devem ser levadas em conta na formulação de políticas, no planejamento e na tomada de decisões. A atividade prospectiva está, portanto, estreitamente vinculada ao planejamento.

Já a abordagem de Horton (1999)2, defende foresight como um “processo de desenvolvimento de visões de possíveis caminhos nos quais o futuro pode ser construído, entendendo que as ações do presente contribuirão com a construção da melhor possibilidade do amanhã”.

Segundo Hamel e Prahalad (1995)3, autores que se ocupam do universo empresarial, o entendimento sobre , foresight deve refletir o pensamento de que a previsão do futuro precisa ser fundamentada em uma percepção detalhada das tendências dos estilos de vida, da tecnologia, da demografia e geopolítica, mas que se baseia igualmente na imaginação e no prognóstico.

Adicionalmente, Martin et al. (1998)4 define foresight como um processo que se ocupa em, sistematicamente, examinar o futuro de longo prazo da ciência, da tecnologia, da economia e da sociedade, com o objetivo de identificar as áreas de pesquisas estratégicas e as tecnologias emergentes que tenham a propensão de gerar os maiores benefícios econômicos e sociais.

Forecast

Technology forecast é o processo de descrever a emergência, desempenho, características ou impactos de uma tecnologia em algum momento no futuro. (Porter et al, 2004). Designa as atividades de prospecção que têm foco nas mudanças tecnológicas, normalmente centradas nas mudanças na capacidade funcional, no tempo e no significado de uma inovação. (Porter, apud Coelho (2003)5). Prospectar tecnologias exige a compreensão da evolução tecnológica, ou seja, o entendimento sobre como uma tecnologia se desenvolve e amadurece e, por isso, o foco do interesse de technological forecasting é centrado nas novas tecnologias, em mudanças incrementais e em descontinuidades em tecnologias existentes.

Martino (1983)6 afirma que um estudo prospectivo inclui quatro elementos: o momento da previsão ou o momento no futuro quando aquela previsão vai se realizar, a tecnologia que está sendo estudada, as características da tecnologia ou suas capacidades funcionais e uma avaliação da probabilidade.

Segundo Amara & Salanik7 apud Coelho (2003) uma definição progressiva para forecasting, relacionada ao grau de precisão que estes estudos apresentam pode ser assim descrita:
i. uma indicação sobre o futuro;
ii. uma indicação probabilística sobre o futuro;
iii. Uma indicação probabilística, razoavelmente definida sobre o futuro;
iv. Uma indicação probabilística, razoavelmente definida sobre o futuro, baseada em uma avaliação de possibilidades alternativas.

De acordo com Salles-Filho et al8, Forecasting possui uma conotação próxima de predição, remontando a uma tradição envolvida prioritariamente com a construção de modelos para definir as relações causais dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos e esboçar cenários probabilísticos do futuro. Atualmente, entendem-se cada vez mais os desenvolvimentos futuros como um resultado sistêmico de múltiplos fatores e de decisões que devem levar em conta elementos de cunho político-sociais e não apenas obedecer a resultados técnicos. Ao enfatizar-se a importância da combinação de resultados de diversos métodos, se ganha em flexibilidade e reduz-se o caráter determinista tradicionalmente associado ao forecasting.

Futuribles, La Prospective, Veille Technologique

Futuribles: termo criado por Bertrand de Jouvenel (apud Jouvenel, H., 2000)9, busca criar melhor compreensão do mundo contemporâneo e explorar as evoluções possíveis – ou futuros possíveis –, os fatores relacionados e as estratégias que devem ser adotadas.

La Prospective: segundo Michel Godet (2000)10, La prospective aproxima-se do conceito de foresight. La Prospective não é apenas um enfoque exploratório (antecipação estratégica), mas representa também um enfoque normativo (desejado). É o espaço onde “o sonho fecunda a realidade; conspirar por um futuro desejado é não sofrer mais pelo presente. Assim, a atitude prospectiva não consiste em esperar a mudança para reagir – a flexibilidade por si mesma não leva a lugar nenhum – mas sim controlar a mudança no duplo sentido, no de pré-atividade (preparar-se para uma mudança esperada) e no de pró-atividade (provocar uma mudança desejada): o desejo é a força produtiva do futuro”.

Veille Technologique – observação e análise da evolução científica, técnica, tecnológica e dos impactos econômicos reais ou potenciais correspondentes, para identificar as ameaças e as oportunidades de desenvolvimento da sociedade (Jakobiak, 1997)11. Corresponde aos termos inglês e espanhol technological watch, environmental scanning e vigilancia tecnologica, respectivamente.

Future Studies

Estudos do futuroconstitui um termo amplo que abrange “toda atividade que melhora a compreensão sobre as conseqüências futuras dos desenvolvimentos e das escolhas atuais”.(Amara & Salanik, 1972)12

O objetivo básico de estudar o futuro é mudar a mente e depois o comportamento das pessoas. (Coates, 2003)13

Estudos do Futuro são um campo da atividade intelectual e política a respeito de todos os setores da vida psicológica, social, econômica, política e cultural, que visa descobrir visando e dominar as complexas cadeias de causalidades, por meio de conceitos, reflexões sistemáticas, experimentações, antecipações e pensar criativo. Os estudos dos futuros constituem conseqüentemente uma base natural para atividades nacionais e internacionais, interdisciplinares e transdisciplinares que tendem a transformar-se em novos foros para a tomada de decisão e para a formulação de políticas. (Eleonora Masini & Knut Samset,1975)14

Assessment

Technology Assessment - conceito que começou a ser aplicado pelo Office of Technology Assessment – OTA, nos Estados Unidos, em 1972, a partir da constatação de que a tecnologia muda e se expande, rápida e continuamente, e suas aplicações são amplas e em escala crescente e cada vez mais pervasivas e críticas em seus impactos, benefícios e problemas, em relação ao ambientes social e à natureza. Assim, passou a ser essencial que as conseqüências das aplicações tecnológicas sejam antecipadas, compreendidas e consideradas na determinação das políticas públicas em problemas existentes e emergentes. Technology Assessment visa, portanto, fornecer indicações antecipadas dos benefícios prováveis ou impactos adversos das aplicações de uma tecnologia. (Blair, 1994)15

A National Science Foundation define Technology Assessment como um estudo de políticas destinado a melhor entender as conseqüências para a sociedade, a respeito da extensão das tecnologias existentes ou da introdução de novas tecnologias com efeitos que normalmente não seriam planejados ou antecipados. (Coates, 2004)16


Referências

1. Coates, J. Foresight in Federal Government Policy Making. Futures Research Quartely, v. 1, p.29-53, 1985.

2. Horton, A. Foresight: how to do simply and successfully Foresight, v. 01, n. 01, 1999. .

3. Hamel, G., Prahalad, C. K., Competindo pelo futuro: estratégias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar os mercados de amanhã. (trad. Outras Palavras) Rio de Janeiro: Campus, 1995.

4. Martin, B.R., Anderson, J., Maclean, M. Identifying Research Priorities in Public-Sector Funding Agencies: Mapping Science Outputs onto User Needs. Technology Analysis and Strategic Management, v. 10, 1998.

5. Coelho, G.M. Prospecção tecnológica: metodologias e experiências nacionais e internacionais. Rio de Janeiro: INT/Finep/ANP Projeto CT-Petro Tendências Tecnológicas, 2003.

6. Martino, J. Technological forecasting for decision making. New York: Elsevier Science Publishing Company, 1983.

7. Amara, R.; Salanik, G. Forecasting: from conjectural art toward science. Technological Forecasting and Social Change, New York, v.3 n.3 p.415-426, 1972.

8. Salles-Filho, Sérgio L.M. (Coord.); BONACELLI, Maria Beatriz M.; MELLO, Débora Luz. Instrumentos de apoio à definição de políticas em biotecnologia. Brasília: MCT; Rio de Janeiro: FINEP, 2001.

9. Disponível em www.futuribles.com. Acesso em 16/09/2004.

10. Disponível em www.cnam.fr/lipsor/lips/articles/. Acesso em 16/09/04.

11. JAKOBIAK, François. Veille technologique, l’approche française. In: Seminário Internacional sobre Gestão Estratégica do Conhecimento. (1997, Rio de Janeiro). Anais...Rio de Janeiro: SENAI/CIET, 1997.

12. Amara, R.; Salanik, G. Forecasting: from conjectural art toward science. Technological Forecasting and Social Change, New York, v.3 n.3 p.415-426, 1972.

13. Coates, J. Why Study the Future? Research Technology Management, May-June 2003.

14. Masini, E. & Samset, K. Recommendations of the WFSF General Assembly, WFSF Newsletter June 1975, p.15

15. BLAIR, P. Technology assessment; current trends and the myth of a formula. 1994.

16. Coates, J. A 21st century agenda for technology assessment. Technology Management, Sept.- Oct.2001.

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