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Sessão especial da Reunião Anual da SBPC debate o estudo "Brasil: mestres e doutores" do CGEE

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Sessão especial da Reunião Anual da SBPC debate o estudo "Brasil: mestres e doutores" do CGEE

De 2009 a 2021, o crescimento do número de empregos formais de mestres (139%) e de doutores (192%) foi, respectivamente, mais de 5 e 7 vezes superior ao do crescimento do emprego formal total ocorrido no Brasil, no mesmo período (26%). Esses e outros dados, que integram o estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) "Brasil: mestres e doutores 2024", foram debatidos, hoje (09), durante uma sessão especial da programação científica da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O encontro segue até o dia 13, na sede da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

De acordo com o estudo, as taxas de crescimento do emprego formal de mestres e doutores foram menos afetadas pelas grandes flutuações de atividade econômica ocorridas no período analisado, quando comparadas ao emprego formal total. "O emprego dessa parcela da população não cresce como o do emprego total; cresce muito mais. A gente vê uma resiliência maior, mesmo em períodos de crise, quando se percebe um crescimento, ainda que menor", afirmou a líder do estudo, Sofia Daher. 

Sobre esse tema, a líder do Observatório de Recursos Humanos para Ciência, Tecnologia e Inovação (RHCTI) explicou que os mestres e doutores sem emprego formal não são necessariamente desempregados. O estudo destaca que o complemento da taxa de emprego formal não pode ser entendido como uma espécie de taxa de desemprego porque entre os mestres e doutores sem emprego formal também estão aqueles que estão fazendo doutorado (no caso dos mestres); pós-doutorado (para os doutores); desenvolvendo projetos de pesquisa sem emprego formal; são bolsistas; autônomos ou auto empregados; entre outros. 

No que diz respeito ao tema inserção nas empresas, foi apresentado um ranking das 10 atividades econômicas que mais empregam doutores. Daher destacou que há uma diferença entre as empresas estatais e as privadas. Nessas últimas, os doutores estão empregados, principalmente, em atividades ligadas à educação (56%), enquanto nas empresas estatais eles estão concentrados em pesquisa e desenvolvimento científico (43%). 

A internacionalização da ciência brasileira também esteve em pauta no debate. Sobre esse tema, a assessora técnica do CGEE, Mayra Juruá, destacou que a proposta de internacionalizar a ciência está muito atrelada ao conceito de usar a CT&I como instrumento do desenvolvimento nacional. "A ideia é que ampliando a visibilidade da ciência brasileira e fazendo parte das redes de pesquisa internacionais, isso vai nos dar, por um lado, visibilidade, inserção, mas também nos ajudaria a fazer uma espécie de catching-up tecnológico e, portanto, avançar mais rapidamente na fronteira científica e, com isso, no desenvolvimento do país. Então, acho que esses são pontos importantes para a gente compreender por que os governos fazem um esforço também de fomentar a internacionalização da ciência", disse. 

Juruá lembrou que, no Brasil, sobretudo a partir de 2004, houve uma mudança na estratégia de financiamento das bolsas, dando-se prioridade para a modalidade sanduíche, e não para a formação plena no exterior. Apesar disso, os números do estudo "Doutores titulados no exterior" indicam que houve um aumento significativo das pessoas que se titularam em outros países. Os três principais destinos, em 1996, eram Estados Unidos, França e Reino Unido, que representavam 66% do total. Ao final do período analisado, esse mesmo grupo titulava 31% dos doutores que se formavam no exterior. "Isso mostra uma mudança importante no padrão de internacionalização da ciência brasileira, alinhada com uma política externa que busca a diversificação de parceiros e o fortalecimento de um mundo multipolar", ressaltou. 

O ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Campolina, e a vice-presidente da SBPC e coordenadora da Subcomissão de Sistematização e Documentação da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, Francilene Garcia, enalteceram o estudo e destacaram a importância do CGEE para o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. 



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