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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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19 agosto 2025
5 conquistas de uma década de trabalho da Rede Regional de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização
Com a participação de delegações de 18 países da região, encerrou-se nesta segunda-feira (18/08) a X Reunião da Rede Regional de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos da América Latina e do Caribe (Rede SPAA), realizada entre 13 e 15 de agosto em Cartagena, Colômbia. Durante três dias, representantes de governos, instituições públicas e especialistas regionais debateram sobre os desafios que a região enfrenta.No encontro, destacou-se a importância de dispor de informações claras sobre os preços dos alimentos, bem como de promover políticas que fomentem a estabilidade dos mercados, o acesso equitativo a alimentos nutritivos e o desenvolvimento inclusivo, resiliente e sustentável.A Rede SPAA, composta por instituições governamentais de 18 países, é uma plataforma regional que, desde a sua criação, impulsiona políticas públicas para fortalecer os sistemas de abastecimento e comercialização de alimentos, e que não interrompeu o seu trabalho durante a pandemia, reforçando o seu papel como espaço de cooperação e diálogo.Para a FAO, a cooperação regional é fundamental para construir sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis para as pessoas, especialmente nas cidades. Governos, setor privado e organismos internacionais devem continuar trabalhando para fortalecer o papel estratégico dos mercados, melhorar as informações agropecuárias e promover políticas de abastecimento diante de desafios como a inflação, as mudanças climáticas e as desigualdades no acesso à alimentação saudável.Ao completar 10 anos de existência, a rede alcançou:Fortalecer as capacidades técnicas de mais de 500 funcionários públicos em temas como gestão de reservas estratégicas de grãos básicos, elaboração de estratégias inclusivas de comercialização, sistemas de inteligência de preços, compras públicas e feiras de produtores e consumidores.Melhorar as políticas de abastecimento em áreas urbanas e periurbanas por meio de lojas, armazéns móveis e até supermercados públicos em países como Bolívia, Argentina, República Dominicana, Brasil, Panamá, México e Honduras, oferecendo produtos com 10% a 30% de economia para milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.Promover a agricultura familiar e camponesa aproximando produtores e consumidores por meio de feiras públicas que incentivam a diversidade e a cultura alimentar, gerando economias de 20% ou mais para as famílias e oportunidades para produtores locais, como as feiras livres e camponesas no Chile.Gerar conhecimentos com mais de 10 estudos que apoiaram a formulação e reformulação de programas de inteligência de mercados (Panamá), gestão de reservas estratégicas (El Salvador, Costa Rica), modernização de sistemas de abastecimento (El Salvador, Honduras) e melhoria de feiras agrícolas (Costa Rica, Paraguai), além de diagnósticos regionais sobre sistemas de informação de preços e reservas estratégicas.Impulsionar a Estratégia para a Gestão de Reservas Estratégicas de Grãos Básicos do SICA, aprovada pelo Conselho de Ministros Centro-Americanos, beneficiando Panamá, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, Guatemala, El Salvador, República Dominicana e Belize, fortalecendo a capacidade institucional para mitigar a volatilidade de preços e garantir o acesso alimentar.Agenda em CartagenaAtualmente, a rede conta com 18 países: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Estado Plurinacional da Bolívia, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Bolivariana da Venezuela, República Dominicana, São Vicente e Granadinas. Foi anunciada a entrada de um novo país: o Uruguai, que participou da reunião como convidado.No encerramento, os países membros da Rede aprovaram uma declaração final na qual acordaram fortalecer as políticas públicas de abastecimento e comercialização, melhorar o acesso a alimentos frescos, saudáveis e acessíveis para enfrentar a inflação dos preços dos alimentos, aumentar a inclusão da agricultura familiar e camponesa nos mercados e melhorar a experiência de compra dos consumidores.A X Reunião foi inaugurada pelo economista-chefe e representante regional Interino para a América Latina e o Caribe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Máximo Torero, que atua como secretaria; a chefe de Gabinete da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Andréia Rigueira; o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Edegar Pretto; e a ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MinAgricultura) da Colômbia, Martha Carvajalino Villegas.Participaram de forma virtual o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) do Brasil, Welligton Dias; e a ministra interina do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Fernanda Machiavelli.No encontro, foram compartilhadas experiências e boas práticas em políticas públicas voltadas a garantir alimentos saudáveis, acessíveis e produzidos localmente, ao mesmo tempo em que se analisaram estratégias para mitigar os efeitos da inflação e reforçar a resiliência dos sistemas alimentares, com especial atenção à inclusão social e à igualdade de gênero.Para saber mais, siga @FAOBrasil e @FAOBrasilCoop nas redes e visite a página do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO: https://www.fao.org/in-action/programa-brasil-fao/pt/
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14 julho 2025
ONU alerta: apenas 35% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão no caminho certo
Uma década após a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, as Nações Unidas divulgaram hoje a 10ª edição de seu relatório anual de progresso, o Relatório da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2025. O documento oferece uma avaliação contundente e um forte apelo à ação.Embora milhões de vidas tenham melhorado, com avanços em saúde, educação, acesso à energia e conectividade digital, o ritmo das mudanças continua insuficiente para alcançar os 17 #ObjetivosGlobais até 2030. Os dados mais recentes mostram que apenas 35% das metas estão no caminho certo ou apresentando progresso moderado, enquanto quase metade avança lentamente e 18% registraram retrocesso.“Estamos diante de uma emergência de desenvolvimento”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Mas este relatório é mais do que um retrato do presente. É também uma bússola que aponta caminhos para o progresso. Ele mostra que os ODS ainda podem ser alcançados — mas apenas se agirmos com urgência, união e determinação.”O Relatório sobre os ODS é preparado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), em colaboração com 50 entidades das Nações Unidas e organizações regionais. O relatório é apresentado aos Estados-membros durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF), estabelecido no documento final da Conferência Rio+20, “O Futuro que Queremos”, que se reúne anualmente na sede da ONU. O HLFP 2025 está sendo realizado de 14 a 24 de julho sob o tema: “Promover soluções sustentáveis, inclusivas, baseadas em ciência e evidências para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para não deixar ninguém para trás” Progresso em meio à adversidadeApesar de desafios globais em cascata, o Relatório sobre os ODS 2025 destaca conquistas significativas:As novas infecções por HIV caíram quase 40% desde 2010.A prevenção da malária evitou 2,2 bilhões de casos e salvou 12,7 milhões de vidas desde 2000.A proteção social alcança hoje mais da metade da população mundial, um aumento expressivo em comparação com uma década atrás.Desde 2015, 110 milhões de crianças e jovens a mais ingressaram na escola.O casamento infantil está em declínio, mais meninas permanecem na escola e cresce a presença de mulheres nos parlamentos.Em 2023, 92% da população mundial tinha acesso à eletricidade.O uso da internet passou de 40% em 2015 para 68% em 2024, ampliando o acesso à educação, ao trabalho e à participação cidadã.Os esforços de conservação dobraram a proteção de ecossistemas-chave, fortalecendo a resiliência da biodiversidade.Ao mesmo tempo, o relatório chama atenção para os entraves que continuam prejudicando o progresso sustentável:Mais de 800 milhões de pessoas ainda vivem na extrema pobreza.Bilhões ainda carecem de acesso à água potável, saneamento e higiene.A mudança climática tornaram 2024 o ano mais quente já registrado, com temperatura média 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.Conflitos causaram quase 50 mil mortes em 2024, com mais de 120 milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas.Países de baixa e média renda enfrentaram custos recordes com o pagamento da dívida: US$1,4 trilhão em 2023.Um plano para acelerarO relatório propõe ações em seis áreas prioritárias, capazes de gerar impactos transformadores: sistemas alimentares, acesso à energia, transformação digital, educação, empregos e proteção social, ação climática e biodiversidade.O documento também pede a implementação do Plano de Ação de Medellín, adotado no Fórum Mundial de Dados da ONU de 2024, para fortalecer os sistemas de dados essenciais para políticas públicas eficazes.Histórias de sucesso mostram que os ODS são possíveisMédias globais podem esconder avanços significativos em muitos países. Nos últimos dez anos:45 países alcançaram acesso universal à eletricidade.54 países eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada até o fim de 2024.Esses resultados, impulsionados por políticas eficazes, instituições fortes e parcerias inclusivas, demonstram que o progresso acelerado é possível — e já está em curso.Os últimos cinco anos até 2030 representam uma oportunidade para cumprir as promessas da Agenda 2030. Ela não é apenas uma aspiração — é um compromisso inegociável.“Este não é um momento para o desespero, mas para a ação decidida”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. “Temos o conhecimento, as ferramentas e as parcerias para promover a transformação. O que precisamos agora é de multilateralismo urgente — um novo compromisso com a responsabilidade compartilhada e o investimento sustentado.”SERVIÇO: Lançamento do Relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2025Data: 14 de julho de 2025, segunda-feiraHorário: 13h45min - 15h (horário de Brasília) Transmissão pela TV on-line da ONU: https://webtv.un.org/en/asset/k1b/k1b40mdxr0 Participantes: António Guterres, secretário-geral da ONUAmina J. Mohammed, vice-secretária-geral da ONULi Junhua, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais Para mais informações, acesse a página do relatório: https://unstats.un.org/sdgs/report/2025 NOTAS PARA EDITORES Dados adicionais: AVANÇOS Entre 2012 e 2024, a taxa de nanismo infantil caiu de 26,4% para 23,2%.A expectativa de vida saudável aumentou mais de cinco anos entre 2000 e 2019, embora a COVID-19 tenha revertido parte desses ganhos.A mortalidade materna global caiu de 228 para 197 mortes por 100 mil nascidos vivos (2015–2023).A mortalidade infantil (menores de 5 anos) caiu de 44 para 37 por mil nascidos vivos (2015–2023).Até o final de 2024, 54 países eliminaram ao menos uma doença tropical negligenciada.Entre 2019 e 2024, 99 reformas legais foram implementadas para eliminar leis discriminatórias e promover a igualdade de gênero.Em 1º de janeiro de 2025, as mulheres ocupavam 27,2% das cadeiras nos parlamentos nacionais, um aumento de 4,9 pontos percentuais desde 2015.A energia renovável é a fonte de energia que mais cresce no mundo e deve ultrapassar o carvão como principal fonte de eletricidade em 2025.O 5G já cobre 51% da população mundial.Dados adicionais: RETROCESSOSSem ações aceleradas, 8,9% da população global ainda viverá na extrema pobreza em 2030.Em 2023, quase 1 em cada 11 pessoas enfrentava a fome.272 milhões de crianças e jovens estavam fora da escola.As mulheres realizam 2,5 vezes mais trabalho doméstico e de cuidado não remunerado do que os homens.Em 2024, 2,2 bilhões de pessoas não tinham acesso a água potável gerida com segurança; 3,4 bilhões, sem saneamento adequado; e 1,7 bilhão, sem higiene básica em casa.A população global de refugiados chegou a 37,8 milhões até meados de 2024.1,12 bilhão de pessoas vivem em favelas ou assentamentos informais sem serviços básicos.A ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 7,1% em 2024, após cinco anos de crescimento — com novas reduções previstas para 2025.Para mais informações, acesse a página do Relatório da ONU sobre os ODS 2025: https://unstats.un.org/sdgs/report/2025 Hashtags: #RelatórioODS #ODS #ObjetivosGlobais #SDGReport #GlobalGoals Contato para a imprensa:Martina Donlon, Departamento de Comunicação Global da ONU: donlon@un.org Helen Rosengren, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: rosengrenh@un.org
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13 agosto 2025
Como combater o discurso de ódio nas redes sociais?
“O discurso de ódio é um veneno. Alimenta preconceito, fomenta discriminação, incita violência e, em casos extremos, abre caminho para atrocidades em massa. Devemos enfrentá-lo juntos, com determinação e solidariedade.” — António Guterres, secretário-geral da ONU Para apoiar pessoas e organizações que estão enfrentando o ódio e promovendo iniciativas de discurso positivo, o Escritório da Assessora Especial da ONU para a Prevenção do Genocídio lançou uma campanha com 10 dicas e orientações para combater o discurso de ódio nas redes sociais. Os materiais estão sendo promovidos no mundo lusófono pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).1. Coloque-se no lugar das outras pessoas: 2. Submeta opiniões, informações e imagens a três filtros: 3. Converse sobre direitos e temas complexos com familiares, amigos e colegas: 4. Não ignore o discurso de ódio: 5. Aja com responsabilidade nas redes: 6. Não caia na provocação: 7. Denuncie: 8. Informe-se: 9. Busque apoio legal: 10. Reveja práticas e costumes nocivos: Descubra mais: Escuta digital: vozes contra o ódioEm 2024, a ONU Brasil promoveu uma escuta digital inédita sobre discurso de ódio e discriminação. Mais de 80% das pessoas ouvidas relataram ter sido vítimas de discurso de ódio, especialmente em razão de gênero, raça, religião ou orientação sexual.O levantamento mostrou que, para os participantes, combater o ódio on-line exige:Educação digital para todas as idades.Ação rápida das plataformas para remover conteúdo nocivo.Fortalecimento de políticas públicas de prevenção e proteção às vítimas.A escuta digital integra os esforços da ONU para criar espaços digitais mais seguros, inclusivos e respeitosos, onde todas as vozes possam ser ouvidas com dignidade.Princípios Globais para a Integridade da Informação: ONU cobra ação urgente Em julho de 2024, o UNIC Rio lançou a versão em português dos Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação, anunciados pelo secretário-geral da ONU em junho do mesmo ano. Os Princípios Globais apresentam recomendações para uma ação urgente destinada a reduzir os danos causados pela propagação da desinformação e do discurso de ódio. Integridade da informação: uma defesa contra o ódioEm outubro de 2023, o UNIC Rio publicou a versão em português do Informe de Política sobre Integridade da Informação nas Plataformas Digitais, preparado pelo secretário-geral da ONU. O documento destaca que o acesso a informação confiável é um direito humano fundamental e base para a paz e o desenvolvimento sustentável.Estudo realizado em 142 países revelou que 58,5% dos usuários regulares de internet estão preocupados com a presença de informações falsas on-line. Estratégia e Plano de Ação da ONU sobre Discurso de ÓdioLançada em 2019, a Estratégia e o Plano de Ação da ONU busca prevenir, identificar e responder ao discurso de ódio em todo o mundo, alinhada ao direito internacional de direitos humanos e ao princípio da liberdade de expressão.A Estratégia e o Plano de Ação consistem em 13 compromissos de ação do sistema das Nações Unidas, com base em quatro princípios fundamentais:A Estratégia e sua implementação devem estar alinhadas com o direito à liberdade de opinião e expressão, já que a ONU apoia um discurso mais positivo - e não menos discurso - como a principal forma de lidar com o discurso de ódio.O combate ao discurso de ódio é responsabilidade de todas as pessoas. Isso significa que todos(as) nós devemos agir: governos, sociedades, o setor privado, começando pelos indivíduos.A ONU pretende apoiar uma nova geração de cidadãos digitais, capacitados para reconhecer, rejeitar e enfrentar o discurso de ódio na era digital.Como uma ação eficaz deve ser apoiada por um melhor conhecimento, a Estratégia exige a coleta coordenada de dados e pesquisas, inclusive sobre as causas básicas, os motivadores e as condições que impulsionam o discurso de ódio.Para mais informações, visite a página do Escritório da Assessora Especial da ONU para a Prevenção do Genocídio (em inglês) e entre em contato com o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio): contato@onu.org.br
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07 abril 2025
Relator Especial da ONU: O Brasil deve enfrentar plenamente as violações da ditadura para garantir os direitos humanos e a democracia
Para garantir, de fato, os direitos humanos e a democracia, o Brasil deve abordar plenamente as violações da ditadura, disse, nesta segunda (7), o Relator Especial Bernard Duhaime.O Relator Especial para a Promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não repetição, Bernard Duhaime, fez esse apelo em declaração durante a conclusão de sua visita oficial de 9 dias ao Brasil. O objetivo da visita foi avaliar as medidas nas áreas de verdade, justiça, reparação, memorialização e garantias de não repetição adotadas pelas autoridades no Brasil para enfrentar as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante a ditadura militar (1964-1985).Ao longo de sua história, o Brasil vivenciou violências institucionais em larga escala direcionadas a diferentes setores da sociedade. Essa violência adotou as formas do colonialismo, escravidão, ditadura e as atuais instâncias de violência institucional direcionada aos setores mais marginalizados da sociedade, como povos indígenas, pessoas afrodescendentes e os camponeses.“Os danos produzidos por essas práticas têm sido vivenciados em todo o território do país e sentidos ao longo de sucessivas gerações”, Duhaime disse. Ele alerta que esse continuum de violência é um indicador da falta de abordagens abrangentes para lidar com graves violações de direitos humanos que englobem medidas de busca da verdade, justiça, reparação, memorialização e garantias de não repetição. “Embora o Brasil tenha feito progresso significativo para abordar essas questões desde 1985, a implementação insuficiente de políticas de justiça de transição para lidar com as consequências da ditadura infelizmente leva a ataques recorrentes à democracia, aos direitos humanos e ao Estado de Direito”, disse o Relator Especial. O especialista disse que essa situação mantém a divisão social e borrou os fundamentos do direito internacional dos direitos humanos, que prevê que o Estado deve respeitar e garantir a todas as pessoas sob seu controle o livre e pleno exercício dos direitos humanos, sem qualquer discriminação. “Enquanto os direitos à verdade, à justiça, à reparação e à memória não forem assegurados a todas as vítimas da ditadura, essa divisão irá persistir e a história pode se repetir”, Duhaime alertou.“Para alterar de trajetória, o Brasil deve urgentemente implementar e ampliar as medidas de justiça de transição propostas no relatório final da Comissão Nacional da Verdade.”O Relator Especial apresentará seu relatório completo ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro de 2025.FIMAcesse a declaração completa em inglês e português. Sobre o Relator Especial sobre a promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não repetição. Relatores Especiais/Especialistas Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O grupo de especialistas juntos, se denomina Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas em procedimentos especiais trabalham de forma voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem um salário por seu trabalho. Enquanto o escritório de Direitos Humanos da ONU atua como o secretariado para os Procedimentos Especiais, os especialistas atuam em sua capacidade individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU.Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.Observações e recomendações feitas especificamente para o país pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos do tratado e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Para mais informações e notas de imprensa, por favor, entre em contato com: Durante a missão: Sra. Brenda Vukovic (+41 076-281 9813 /brenda.vukovic@un.org ); Sr. Diego Lobo, Centro de Informação da ONU Rio, diego.lobo@un.org +55 21 982876762). Após a missão: Sra. Brenda Vukovic (+41 22 917 9635 / brenda.vukovic@un.org)Para perguntas sobre outros especialistas independentes da ONU, entre em contato com Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org) e Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org).
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10 abril 2025
ONU Brasil lança Relatório Anual 2024
O recém-lançado Relatório Anual das Nações Unidas apresenta os resultados de um ano de avanços estratégicos no Brasil. Por meio de um planejamento integrado e de investimentos catalisadores, o Sistema ONU, formado por 24 entidades, atuou conjuntamente com o Estado brasileiro e com os três níveis de governo para impulsionar o desenvolvimento do país, com atenção às necessidades específicas dos diferentes grupos populacionais e ao meio ambiente.Seguindo as diretrizes do Marco de Cooperação, vigente de 2023 a 2027, ao longo de 2024 a ONU trabalhou em temas como saúde, educação, emprego e renda, acesso a serviços básicos, equidade, direitos humanos e assistência humanitária em 351 iniciativas, que trouxeram benefícios para milhões de pessoas. O investimento feito no país foi de US$ 155 milhões."O Relatório Anual é um documento indispensável para o monitoramento de nossas atividades e para a prestação de contas ao Estado, aos nossos parceiros e à sociedade brasileira." - Silvia Rucks, Coordenadora Residente da ONU no Brasil O relatório anual ressalta, além dos resultados, os desafios, a execução financeira, os principais doadores e os 341 parceiros que trabalham junto com o Sistema ONU para que o Brasil avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Confira dez pontos de destaque do que o Sistema das Nações Unidas alcançou em 2024:Resposta à emergência no Rio Grande do SulResposta a secas e queimadasMobilização de R$ 55 milhões para o Fundo Brasil-ONU para a AmazôniaApoio à elaboração da Contribuição Nacionalmente Determinada de redução de emissões de gases do efeito estufaRealização de 55 missões de autoridades da ONU ao BrasilApoio à delegação brasileira de jovens no Y20Engajamento na Aliança Global contra a Fome e a PobrezaParticipação brasileira na Cúpula do FuturoAdoção do ODS18 – Igualdade Étnico-RacialApoio à presidência brasileira do G20Marco de CooperaçãoAssinado em 2023 com o Estado brasileiro, o Marco de Cooperação é o principal documento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação das ações da ONU no país. Ele organiza o trabalho das agências especializadas, fundos e programas das Nações Unidas com atuação no país em torno de cinco eixos temáticos:Transformação Econômica para o Desenvolvimento SustentávelInclusão Social para o Desenvolvimento SustentávelMeio Ambiente e Mudança do Clima para o Desenvolvimento SustentávelGovernança e Capacidades InstitucionaisRelação das Ações Humanitárias e de Desenvolvimento SustentávelLeia aqui o relatório completo.
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História
04 agosto 2025
Desafiando a seca
Apesar de ser conhecido por sua abundância hídrica, o Brasil enfrenta um risco crescente de desertificação. Mais de 1,4 milhão de km² do território nacional já são suscetíveis ao processo de desertificação, afetando diretamente cerca de 1.500 municípios e 38 milhões de pessoas. Nesse cenário árido do Brasil — onde o solo seco desafia a sobrevivência e a água é um recurso valioso — a agricultora Eusébia Bezerra cultiva hortaliças orgânicas e transforma a paisagem. No sítio onde vive com a família, ela está construindo um novo futuro com o apoio do projeto REDESER — uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês). “Aqui a gente não aproveitava nem 50% da terra, e o projeto ajudou muito com isso. Hoje a gente consegue usar cada pedacinho da propriedade, com pés de frutas, hortaliças, flores e plantas medicinais”, comemora Eusébia.Criada em um assentamento na zona rural do Ceará, Eusébia foi para Juazeiro do Norte, de 280 mil habitantes - aos 16 anos, para trabalhar como empregada doméstica e babá. Com a gravidez de risco do primeiro filho, em 2019, ela deixou o emprego, e o marido, Henrique, ficou encarregado de todas as despesas da família.A situação financeira apertada e a saúde debilitada do bebê estimularam o casal a deixar a cidade e construir uma casa na propriedade rural do pai de Henrique, dividida com irmãos, tios e primos. Em 2021, antes mesmo de terminar a construção, eles se mudaram para o sítio, que fica a cerca de duas horas da cidade, no coração do Semiárido brasileiro.Enquanto o pai de Henrique focava na produção de monoculturas, como amendoim, arroz e milho, como a maioria dos produtores da região, a jovem família resolveu seguir outro caminho, apostando no cultivo de hortaliças orgânicas. “Quando começamos, não havia hortas por aqui. Tínhamos que comprar verduras na cidade, cheias de agrotóxico. Aí preferimos investir nisso”, explica Eusébia. A horta foi crescendo, mas o principal desafio permanecia: a seca. “De agosto até o fim do ano é muito difícil, o poço fica vazio. A gente tem que se virar nos 30”, conta a agricultora. Com a chegada do projeto REDESER, a família aprendeu novas técnicas para aproveitar ao máximo a água — o recurso mais precioso da região, que é a área semiárida mais densamente povoada do mundo, cobrindo 70% do Nordeste brasileiro.Em seis meses de acompanhamento do projeto, eles receberam capacitações, construíram uma área de agrofloresta, canteiros perenes e passaram a conciliar diferentes tipos de cultivos, reduzindo o consumo de água. “O projeto trouxe vários aprendizados, como jeitos diferentes de plantar que reaproveitam a água e garantem a cobertura do solo, para que fique mais tempo molhado. Hoje está outra coisa aqui”, celebra.A partir das tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, Eusébia e o marido conseguiram expandir a produção da horta, que atualmente conta com alface, coentro, cebolinha, pimentão e alho-poró. Tudo isso em um sistema integrado com agrofloresta, plantação de mandacaru (cactos da caatinga com frutos comestíveis) e de frutas, como banana e mamão, criação de peixes e cultivo de plantas medicinais, como hortelã e alecrim. Todas as semanas, a família vende cerca de 12 quilos de alface e 15 quilos de coentro para uma cooperativa próxima, por 12 reais o quilo, totalizando um complemento de renda de cerca de R$ 1.300 por mês. A renda do cultivo ainda não garante o sustento da família, mas o plano é aumentar a produção. “Para a cidade eu não quero voltar nunca mais. A gente quer ficar por aqui, vivendo da horta”, afirma Eusébia.Para o futuro, eles pretendem construir um novo poço no terreno, para garantir mais acesso a água e possibilitar ainda mais a expansão do plantio. “A gente tem um sonho de um dia, quando as coisas melhorarem, comprar um carro e sair vendendo cestinhas de hortaliças e plantas medicinais para as pessoas na cidade. Porque lá tem muita gente que quer ter acesso a produtos orgânicos, mas muitas vezes não tem. A gente está lutando para isso”, revela a agricultora.Com um investimento de R$ 19 milhões até o final de 2025, o projeto REDESER busca restaurar a funcionalidade do solo, proteger a biodiversidade e melhorar as condições de vida das comunidades locais. A meta é impactar cerca de 900 mil hectares e beneficiar diretamente 1.500 pequenos produtores e comunidades em cinco territórios diferentes do Brasil.Para saber mais, siga @FAOBrasil nas redes e visite a página da FAO no Brasil: https://www.fao.org/brasil/pt/
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História
25 julho 2025
“Quando você não tem paz e liberdade, você entende os valores disso na sua vida”
Há cerca de dois anos, Frözan Sediqui chegou ao Brasil com algumas caixas de madeira entre suas bagagens. Para muitos, aqueles itens vazios poderiam representar apenas peso extra em meio a uma mudança de país, mas para ela significavam um recomeço. Artesã e proprietária de uma galeria de arte em Cabul, capital do Afeganistão, Frözan deixou o país após a tomada de poder pelo Talibã. Desde então, a situação dos direitos das mulheres no Afeganistão se deteriorou drasticamente.Ao lado do marido e de um de seus irmãos, ela seguiu para o Irã, onde solicitaram vistos humanitários para viver no Brasil. A chegada foi em São Paulo, cidade onde a família não tinha conhecidos. Por semanas, eles se somaram a outras pessoas refugiadas que, sem terem para onde ir, aguardavam no aeroporto de Guarulhos até serem encaminhados para um abrigo. Após alguns meses, a família conseguiu se alojar na capital do estado paulista onde, grávida, Frözan tentava realizar os acompanhamentos do pré-natal. “No dia em que chegamos ao hospital para saber se esperava um menino ou uma menina, o médico escreveu no celular que o nosso bebê não estava mais vivo”, lembra emocionada. Para a especialista em Empoderamento Econômico da ONU Mulheres Brasil, Flávia de Moura Muniz, a trajetória de Frözan evidencia a importância de políticas públicas sensíveis às experiências das mulheres refugiadas e migrantes: “A Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, há trinta anos, já reconhecia que, sem acesso a serviços essenciais — como saúde, informação e oportunidades de participação política e econômica —, não há empoderamento possível. Garantir esses direitos é fundamental para que mulheres em contextos de refúgio e migração possam reconstruir suas vidas com dignidade, segurança e autonomia.” As dificuldades de comunicação vividas no dia a dia se tornaram mais desafiadoras e doloridas naquela data. “Quando deixei o hospital, me matriculei em um curso de Português e venho aprendendo sempre mais”, conta a artesã que hoje tem na comunicação uma das suas ferramentas de trabalho.Ao lado do marido, Frözan vende peças de madeira talhadas em feiras, exposições e pela internet. As peças carregam o simbolismo e a tradição da técnica afegã. “A arte sempre ajuda. Quando o Talibã chegou, eu comecei essa arte de gravar em madeira, e esquecia tudo sobre eles. Aqui no Brasil, quando eu perdi meu bebê, essa arte me ajudou de novo”, revela. DireitosMesmo que ainda não tenha conseguido restabelecer as condições para ter novamente sua própria galeria, Frözan afirma que agora pode voltar a ter sonhos. “Quando você vive no Brasil, você vive de verdade. Não tem alguém que diga que você não pode fazer algo. Agora eu sonho que minha família possa vir para cá, que eu possa comprar uma casa, ficar no Brasil, e engravidar novamente”. Antes de empreender, ainda no Afeganistão, Frözan havia se formado em Relações Internacionais. Desde que retomou o poder no país, em 2021, o Talibã implementou uma série de medidas que sistematicamente privaram as mulheres de seus direitos, incluindo o acesso a empregos, educação e espaços públicos. Em novembro de 2024, com o apoio do Programa Conjunto Moverse, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), da ONU Mulheres e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), financiada pelo Governo de Luxemburgo, Frözan esteve na II Conferência sobre Migrações, Refúgio e Apatridia (Comigrar), em Brasília, evento em que são discutidas as principais demandas e prioridades para aperfeiçoamento das políticas públicas para essa população. Ao participar do encontro como empreendedora, Frözan acompanhou os encaminhamentos dados pelas delegadas e delegados durante a Conferência. “Quando você não tem paz e liberdade, você entende os valores disso na sua vida”, reflete. Sobre o MoverseO Programa Conjunto Moverse é uma iniciativa implementada pela ONU Mulheres, pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com o apoio do Governo de Luxemburgo — parceiro das instituições há seis anos na implementação de projetos voltados à construção de políticas e estratégias que promovam o empoderamento econômico, a proteção e a liderança e participação política de mulheres refugiadas e migrantes que vivem no Brasil. Entre 2021 e 2023, o programa teve como foco principal o empoderamento econômico, por meio da articulação com governos, empresas e instituições públicas e privadas para fortalecer os direitos econômicos e ampliar as oportunidades de desenvolvimento de mulheres venezuelanas refugiadas e migrantes. Em sua nova fase, iniciada em 2024, o programa amplia seu escopo para incluir mulheres refugiadas e migrantes de diversas nacionalidades, com o objetivo de oferecer apoio técnico ao governo federal no desenvolvimento de políticas públicas sensíveis aos direitos humanos e à igualdade de gênero, além de fortalecer as capacidades de mulheres e seus coletivos para uma participação efetiva nos processos de tomada de decisão. Para saber mais, siga @onumulheresbr nas redes e visite a página da ONU Mulheres no Brasil: https://www.onumulheres.org.br
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História
03 julho 2025
“Nós, os Povos das Nações Unidas”
EM 26 DE JUNHO DE 1945, os povos das Nações Unidas, por meio de seus representantes reunidos em São Francisco, estabeleceram uma nova organização global para promover os ideais pelos quais haviam lutado na guerra mais trágica da história.Ao dar esse passo monumental, os povos amantes da liberdade afirmaram que o espírito de cooperação e unidade de propósito — que havia possibilitado a vitória militar — deveria ser mantido para enfrentar o desafio da paz.Essa consciência de que as nações deveriam permanecer unidas não foi fruto do acaso nem de uma decisão repentina. Duas guerras mundiais em uma única geração — guerras que alcançaram todos os cantos do globo e envolveram todos os segmentos da humanidade — deixaram uma conclusão inescapável: que a paz e a segurança pelas quais a humanidade ansiava há séculos só poderiam ser alcançadas por meio de uma parceria contínua e da vigilância de todos os povos do mundo. A cada ano, as armas de destruição assumiam um potencial cada vez mais aterrorizante, e uma terceira guerra mundial poderia destruir as bases da civilização. Por trás da assinatura da Carta das Nações Unidas está a história das antigas tentativas da humanidade de agir coletivamente para que a paz e a segurança fossem alcançadas. Alguns dos poetas e filósofos mais ilustres do mundo delinearam planos para uma federação viável de nações. Em 1313, Dante propôs uma união europeia sob um único governante benevolente. Em 1713, o abade Saint-Pierre defendeu uma aliança perpétua dos Estados europeus e a arbitragem compulsória para resolver disputas. Jeremy Bentham propôs a redução de armamentos e o estabelecimento de uma "legislatura comum", enquanto Immanuel Kant favorecia uma federação geral de Estados, universal em escopo, que abrangesse todos os povos do mundo.Primeiras Ações Aliadas“A primeira ação formal das nações aliadas para trabalhar juntas pela preservação da paz foi a Conferência Interaliada no Palácio de St. James, em Londres, em 12 de junho de 1941.”Durante o século 19, o movimento pacifista cresceu rapidamente, e em 1914 já existiam cerca de 150 organizações de paz no mundo. Durante a Primeira Guerra Mundial, muitas dessas entidades discutiram a possibilidade de criar uma liga internacional após o fim das hostilidades. O governo britânico nomeou um comitê para elaborar um plano de uma Liga de Nações. Enquanto isso, Woodrow Wilson e o general Smuts também formulavam ideias para uma organização internacional de paz. Desses esforços surgiu um esboço que, com alterações, deu origem ao Pacto da Liga das Nações.De 1920 a 1930, a Liga teve maior êxito na área não política: saúde pública, melhoria das condições de trabalho pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), controle do tráfico de drogas, entre outros. Mas a década de 1930 foi marcada por agressões incontroladas, culminando no início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939. A virada da guerra só começou no verão de 1943, com a resistência soviética em Stalingrado. A cooperação militar e econômica desenvolvida forçadamente pelos Aliados nos primeiros anos críticos acabou sendo essencial para o nascimento das Nações Unidas. A Carta do AtlânticoEm agosto de 1941, enquanto a guerra avançava na Rússia e no sudeste da Europa, e a Batalha do Atlântico se intensificava, foi anunciada uma reunião entre o presidente Roosevelt e o primeiro-ministro Churchill "em algum lugar do mar". Em 14 de agosto, eles divulgaram a chamada Carta do Atlântico.A declaração não era um tratado formal, mas expunha princípios comuns sobre os quais baseavam suas esperanças para um futuro melhor. Defendia o direito dos povos à autodeterminação, o livre acesso ao comércio e matérias-primas, e a colaboração econômica internacional para melhores padrões trabalhistas e segurança social.Os pontos seis e oito da Carta relacionavam-se diretamente à criação de uma organização mundial. Após a derrota do nazismo, previa-se uma paz duradoura com liberdade para todas as pessoas, bem como o abandono do uso da força e a criação de um sistema permanente de segurança coletiva.A Carta do Atlântico não só deu esperança em um momento sombrio, como comprometeu os signatários a estabelecer uma organização internacional — compromisso que se fortaleceu nas conferências aliadas seguintes.Declaração das Nações UnidasO segundo elo da cadeia que levou à Carta foi a Declaração das Nações Unidas, assinada em 1º de janeiro de 1942 em Washington, por 26 países em guerra contra o Eixo. Era a primeira vez que se usava a expressão “Nações Unidas”.Esses países se comprometeram a empregar todos os recursos para derrotar o Eixo e não firmar acordos de paz separados. Até abril de 1945, quando a Conferência de São Francisco foi aberta, o número de signatários havia crescido para 47.Mesmo em meio à guerra, trabalhos construtivos para uma organização internacional do pós-guerra prosseguiram. Conferências de Moscou, Cairo e TeerãEm 1943, três conferências reforçaram esse compromisso. “Em Moscou, os Estados Unidos, o Reino Unido, a União Soviética e a China reconheceram a necessidade de criar uma organização internacional baseada na igualdade soberana de todos os Estados amantes da paz.” Essa meta foi reiterada no Cairo e em Teerã, com compromissos mais concretos para um mundo livre da tirania, escravidão, opressão e intolerância.Passos Econômicos e SociaisAlém dos compromissos políticos, os Aliados atuaram para enfrentar causas econômicas e sociais da guerra. Em maio de 1943, 44 países participaram da Conferência de Alimentação e Agricultura, que levou à criação da FAO. Em novembro, foi fundada a Administração das Nações Unidas para o Socorro e a Reabilitação (UNRRA), que forneceu ajuda emergencial e apoio à reconstrução em países devastados pela guerra.Em julho de 1944, a Conferência de Bretton Woods criou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, preparando o terreno para uma economia mundial estável e próspera.Dumbarton OaksLogo após Bretton Woods, representantes dos EUA, União Soviética, Reino Unido e, depois, China, reuniram-se em Washington para esboçar os termos da nova organização. As “Propostas de Dumbarton Oaks” serviram como base para debate público e preparação da conferência de São Francisco.Propunham a criação da ONU, com uma Assembleia Geral, um Conselho de Segurança, uma Corte Internacional de Justiça e um Secretariado, além de um Conselho Econômico e Social.YaltaEm fevereiro de 1945, na Crimeia, Roosevelt, Churchill e Stalin anunciaram a realização da Conferência de São Francisco, marcada para abril. A questão do voto no Conselho de Segurança foi resolvida, mas o plano seria divulgado após consulta à China e França.“Franklin Delano Roosevelt morreu em 12 de abril, poucos dias antes da conferência, e coube a outros líderes concretizar o projeto.”São FranciscoA Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional reuniu-se de 25 de abril a 26 de junho de 1945. Mais de 850 delegados e milhares de jornalistas, assessores e representantes de ONGs compareceram. As negociações aconteceram em quatro comissões principais, com 12 comitês. O texto final da Carta trouxe alterações significativas às propostas de Dumbarton Oaks. Foi incluído um Preâmbulo, uma Declaração sobre Territórios Não Autônomos, o Sistema de Tutela e o Conselho de Tutela. A Assembleia Geral teve seus poderes ampliados e o Conselho Econômico e Social passou a ser um dos seis órgãos principais. A conferência também elaborou o estatuto da nova Corte Internacional de Justiça.Em 25 de junho, a Carta foi adotada por unanimidade. No dia seguinte, em uma cerimônia de sete horas, os delegados assinaram o documento histórico. “A China, primeira vítima da agressão do Eixo, teve a honra de assinar primeiro. Ao final, 153 assinaturas estavam registradas.” O presidente Truman encerrou a conferência com um discurso memorável:“Se tivéssemos tido esta Carta há alguns anos — e, acima de tudo, a vontade de usá-la — milhões agora mortos estariam vivos. Se vacilarmos no futuro em nossa vontade de usá-la, milhões que hoje vivem certamente morrerão.”Este artigo foi escrito e publicado pela primeira vez no Boletim Semanal das Nações Unidas, antecessor do UN Chronicle, em 24 de junho de 1947 (Volume II, nº 24). Acesse a versão original: https://www.un.org/en/un-chronicle/story-charter Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre os 80 anos das Nações Unidas.
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História
06 junho 2025
“Eu só tenho a agradecer pelo Brasil ser um país acolhedor. O que eu sinto é gratidão.”
Portões abertos, mesas postas, som ambiente e espaço de lazer pronto para os clientes apreciarem a vista sob Pacaraima. Assim é a rotina no Restaurante Rustic, localizado na cidade fronteiriça de Roraima. Comandado pelo chef Romeu, o espaço reflete a mistura cultural entre o território brasileiro e venezuelano tão conhecida pelos moradores.A história de Romeu com a gastronomia começou quando ainda era um jovem garçom, na cidade de Santa Elena de Uairén, no lado venezuelano da fronteira. O cotidiano de ver o funcionamento da cozinha acendeu a primeira chama de interesse em seguir no ramo culinário. Em seguida, se tornou bartender na Ilha de Margarita, no litoral caribenho famoso pelo turismo e praias cristalinas.“Ali me apaixonei pela área, mas eu queria ser mais que bartender. Busquei nos jornais e encontrei uma vaga de cozinheiro com ou sem experiência. Fui aprendendo, estudando, assistindo vídeos até ter minha cozinha um ano e meio depois”, relembra.A decisão de sair da ilha e ir para Pacaraima foi motivada pela emoção, a de ter os filhos e a terra de nascença mais próximos, sem perder oportunidades de crescimento profissional.O Rustic nasceu como restaurante de um homem só durante a pandemia da COVID-19. Romeu atendia os pedidos, preparava os hamburgers e fazia o delivery de bicicleta. Aos poucos, o negócio foi se fortalecendo no mercado local, promovendo oportunidades de emprego. Em 2023, o chef recebeu um desafio: cozinhar para um evento com temática brasileira. “Era uma festa junina. Aprendi muito sobre e deu certo, assim pensei em juntar a cultura dos dois países”, diz.Motivado, Romeu se aventurou pelo Norte, buscando inspirações de sabores na Amazônia. A ligação com a região, que já existia, ficou ainda mais fortalecida. Em 1996, o chef conheceu o Festival de Parintins, a maior festa amazônica com apresentação dos Bois Bumbás. Desde então, o coração bate mais forte pelo Boi Garantido, visível pela presença do boi vermelho nas decorações do restaurante.“É importante para mim estar aqui. Posso misturar as duas culturas, com vários pratos com tempero brasileiro e venezuelano. Me sinto feliz, consagrado. Eu consegui!”, relata Romeu. “Com o fluxo migratório constante desses últimos anos, também tenho apoiado meus conterrâneos com dicas sobre como buscar emprego e conselhos. Todos meus funcionários são venezuelanos, pois quero ajuda-los”, complementa. Um dos funcionários de Romeu é o garçom profissional Jesus Alberto, que tem de experiência quase a idade que possui. Mesmo com quase 50 anos de profissão, diz que ainda segue aprendendo. “Todo dia tem algo novo para aprender, para que o cliente tenha uma boa experiência. Meu objetivo principal é sempre o bem-estar e satisfação do cliente”, disse Jesus.Além de servir as mesas, Jesus prepara coquetéis especiais, avaliando qual o pedido que será consumido, assim, os drinques são especiais para antes, durante e após as refeições.“O Rustic significa muito para mim. Em primeiro, a amizade com Romeu. Depois, o respeito e terceiro, a chance de aprender sempre. Como venezuelano, me sinto orgulhoso pelo meu país, por isso, digo a todos os que chegam no Brasil, que tenham motivação para superar os desafios. Minhas portas estão abertas para todos que queiram aprender comigo”, afirma o garçom. Consolidado em Pacaraima, o Rustic promove a integração e fomenta a economia local. Mas antes de tudo, representa a conquista de quem escolheu o Brasil para empreender e chamar de lar.“Migrar não é fácil, é deixar tudo para trás. Virar a página de um dia para o outro dói, mas eu só tenho a agradecer pelo Brasil ser um país acolhedor. O que eu sinto é gratidão”, finaliza Romeu.Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM Brasil: https://brazil.iom.int/pt-br
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História
03 junho 2025
“Meu filho está bem, saudável e é um exemplo de todo apoio que nós recebemos”
Com apenas um ano de idade, Mateo já viveu experiências que assustariam até os adultos mais experientes. O menino indígena warao já percorreu longas distâncias, migrando da Venezuela para o Brasil. E agora enfrenta mais um desafio: vencer a desnutrição grave. Ao desembarcar em Boa Vista - capital mais ao norte do Brasil e onde se concentram os abrigos humanitários da Operação Acolhida -, Maria Isabel, mãe de Mateo, não estava bem. Debilitada e sem conseguir amamentar, foi internada e separada do filho, que ficou sob os cuidados de Marianis, filha mais velha de Maria Isabel. “Quando minha mãe ficou doente, fiquei preocupada com o Mateo. Eu estava amamentando o meu bebê então o amamentei também*, para que não sentisse fome", contou emocionada.Com o passar do tempo, Mateo parou de se alimentar, emagreceu e não tinha mais forças para andar. Foi quando, durante uma busca ativa realizada pela equipe de saúde e nutrição, que Marianis conheceu Amarilis, monitora do projeto do UNICEF com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Levada até a sala de saúde e nutrição pela monitora, o olhar atento da nutricionista Luara para a família trouxe notícias difíceis, mas necessárias para agir. “No meu primeiro contato com Mateo, ele chorava muito. Estava fraco, e após o atendimento inicial tive a certeza de que ele estava em um estado crítico de desnutrição e precisava de auxílio médico. Foi quando o encaminhamos para o hospital”, afirmou.Quando recebeu alta do hospital, Mateo passou a ser acompanhado pela equipe multidisciplinar do Centro de Recuperação Nutricional Infantil (CERNUTRI), e pelo projeto de proteção integral do UNICEF com a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI), que presta apoio e suporte à família durante a recuperação de Mateo. “Ao retornar ao abrigo, o atendimento que já vinha sendo realizado pelo UNICEF, ADRA e a Força Tarefa, foi reforçado com o apoio do CERNUTRI e da AVSI. Foi emocionante ver essa rede de cuidados se unindo pela recuperação de um menino tão pequeno e tão corajoso”, explicou a nutricionista.Durante todo o período em que Mateo esteve doente, sua mãe, Maria Isabel, estava internada e só recebeu alta após os momentos mais difíceis já terem passado. Foi apenas então que sua filha mais velha, Marianis, decidiu contar o que havia acontecido com o irmão, poupando a mãe de preocupações enquanto ela própria enfrentava um processo delicado de recuperação. “Quando minha mãe estava internada, eu evitei contar para ela que Mateo estava doente, para que ela não achasse que tinha culpa sobre o que aconteceu”, explicou Marianis.Com o acompanhamento multidisciplinar, Mateo começou a ganhar peso. “Eu sei que o tratamento está funcionando porque hoje Mateo brinca, come, anda e corre. Ele está bem. Quando toca música, ele dança”, conta a mãe. “Meu filho está bem, saudável e é um exemplo de todo apoio que nós recebemos”.Mateo ainda permanece na curva da desnutrição, mas o tratamento tem sido promissor. Letícia, a nova nutricionista que acompanha o caso, destaca que o momento mais difícil já passou, mas que é necessário continuar o acompanhamento.“Nossa responsabilidade é avaliar, orientar a família. Mateo ainda tem desnutrição, mas já é outra criança comparada com quando chegou. Vê-lo evoluindo enche meu coração de alegria, mas permaneço atenta, para que ele melhore cada dia mais”, disse. Nutrição e migraçãoO UNICEF trabalha com a promoção de saúde e nutrição para a população refugiada e migrante. Em 2025, com o apoio da ADRA em campo, 403 crianças foram identificadas com algum nível de desnutrição aguda, seja moderada ou grave nos abrigos de Boa Vista. Destes, 55,56% são indígenas. A estratégia conta com o apoio financeiro do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO, na sigla em inglês), e outros parceiros.*A amamentação cruzada não é recomendada, mas é um costume warao. Após a consulta com a equipe de saúde e nutrição, Marianis foi aconselhada a não prosseguir com a amamentação de Mateo.Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do UNICEF Brasil sobre desnutrição.
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Notícias
29 agosto 2025
BRASIL: Relator Especial da ONU “profundamente preocupado com formas contemporâneas de escravidão”
Altos níveis de exploração do trabalho, exploração sexual e criminal, servidão doméstica, trabalho infantil e casamento infantil persistem no Brasil, apesar dos fortes marcos legislativos, políticos e institucionais do país para abordar as formas contemporâneas de escravidão, afirmou hoje o Relator Especial Tomoya Obokata.
“Estou profundamente preocupado com os relatos de formas contemporâneas de escravidão compartilhados comigo, particularmente por povos indígenas, pessoas afrodescendentes, incluindo membros da comunidade quilombola, mulheres que trabalham no setor doméstico, bem como pessoas migrantes e refugiados”, disse o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata, em um comunicado divulgado no final de sua visita oficial ao país.
Obokata identificou que as manifestações atuais da escravidão no país são uma consequência dos legados do comércio transatlântico de africanos escravizados e do colonialismo, já que a exploração de populações historicamente marginalizadas foi normalizada na sociedade.
“Devido à falta de outras opções, muitos trabalhadores, incluindo crianças, estão sujeitos a um ciclo vicioso de pobreza intergeracional. Se abusos de direitos humanos forem denunciados, os trabalhadores e defensores de direitos humanos são ameaçados por empregadores e outros atores que os silenciam, reforçando a impunidade e tornando o acesso à justiça e a reparação quase impossível”, disse o Relator Especial. Obokata constatou que as formas contemporâneas de escravidão estão profundamente entrelaçadas com a destruição ambiental na Amazônia e em outros lugares, causada pela grilagem de terras, exploração madeireira, mineração, produção de carvão vegetal, pecuária, expansão do agronegócio e tráfico de drogas. Todos esses fatores levam a graves violações dos direitos dos povos indígenas e quilombolas e de outras comunidades rurais e tradicionais às suas terras, ameaçando seus meios de subsistência e deixando-os sem escolha a não ser trabalhar em indústrias exploradoras, muitas vezes migrando internamente.“Fiquei alarmado ao saber que as empresas e muitas autoridades governamentais priorizam o lucro em detrimento dos direitos humanos, causando danos irreparáveis aos trabalhadores e ao meio ambiente”, disse o especialista.O Relator Especial elogiou o Brasil por adotar várias leis e políticas robustas para abordar as formas contemporâneas de escravidão, a saber, a "lista suja" para empresas que foram responsabilizadas por sujeitar os trabalhadores a "condições análogas à escravidão".
No entanto, apontou lacunas significativas na implementação do marco existente, particularmente nos níveis estadual e municipal. A corrupção também permite que as empresas contornem as leis existentes, disse o especialista.
Obokata insiste que o Governo do Brasil fortaleça a prevenção de formas contemporâneas de escravidão, investindo em educação, desenvolvimento sustentável e atividades geradoras de renda e assistência social em nível local, e que acelere a demarcação de terras tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas e quilombolas. O Brasil também deve responsabilizar as empresas, exigindo a devida diligência em direitos humanos e ambientais e aumentando a quantidade e a capacidade dos fiscais do trabalho.“O Brasil precisa abordar seu legado de escravidão e colonialismo fechando suas profundas lacunas raciais, socioeconômicas e geográficas, redistribuindo recursos de forma equitativa e protegendo os direitos humanos daqueles que tradicionalmente mais sofreram”, disse Obokata. O Relator Especial apresentará um relatório sobre sua visita ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro de 2026.Sobre o Relator Especial Tomoya Obokata é o Relator Especial sobre formas contemporâneas de escravidão, incluindo suas causas e consequências. Informações sobre a Relatoria Especial podem ser encontradas na página do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH): https://www.ohchr.org/en/special-procedures/sr-slavery Relatores Especiais/Especialistas Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O grupo de especialistas juntos, se denomina Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas em procedimentos especiais trabalham de forma voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem um salário por seu trabalho.
Enquanto o escritório de Direitos Humanos da ONU atua como o secretariado para os Procedimentos Especiais, os especialistas atuam em sua capacidade individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.
Observações e recomendações feitas especificamente para o país pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos do tratado e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/ Contatos para a imprensa:
Para consultas e solicitações da imprensa, entre em contato com: Satya JENNINGS (satya.jennings@un.org) ou Yuki SUZUKI (yuki.suzuki@un.org).
Para consultas da imprensa relacionadas a outros especialistas independentes da ONU, entre em contato com Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org) ou Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org)
Acompanhe notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no Twitter @UN_SPExperts.
“Estou profundamente preocupado com os relatos de formas contemporâneas de escravidão compartilhados comigo, particularmente por povos indígenas, pessoas afrodescendentes, incluindo membros da comunidade quilombola, mulheres que trabalham no setor doméstico, bem como pessoas migrantes e refugiados”, disse o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata, em um comunicado divulgado no final de sua visita oficial ao país.
Obokata identificou que as manifestações atuais da escravidão no país são uma consequência dos legados do comércio transatlântico de africanos escravizados e do colonialismo, já que a exploração de populações historicamente marginalizadas foi normalizada na sociedade.
“Devido à falta de outras opções, muitos trabalhadores, incluindo crianças, estão sujeitos a um ciclo vicioso de pobreza intergeracional. Se abusos de direitos humanos forem denunciados, os trabalhadores e defensores de direitos humanos são ameaçados por empregadores e outros atores que os silenciam, reforçando a impunidade e tornando o acesso à justiça e a reparação quase impossível”, disse o Relator Especial. Obokata constatou que as formas contemporâneas de escravidão estão profundamente entrelaçadas com a destruição ambiental na Amazônia e em outros lugares, causada pela grilagem de terras, exploração madeireira, mineração, produção de carvão vegetal, pecuária, expansão do agronegócio e tráfico de drogas. Todos esses fatores levam a graves violações dos direitos dos povos indígenas e quilombolas e de outras comunidades rurais e tradicionais às suas terras, ameaçando seus meios de subsistência e deixando-os sem escolha a não ser trabalhar em indústrias exploradoras, muitas vezes migrando internamente.“Fiquei alarmado ao saber que as empresas e muitas autoridades governamentais priorizam o lucro em detrimento dos direitos humanos, causando danos irreparáveis aos trabalhadores e ao meio ambiente”, disse o especialista.O Relator Especial elogiou o Brasil por adotar várias leis e políticas robustas para abordar as formas contemporâneas de escravidão, a saber, a "lista suja" para empresas que foram responsabilizadas por sujeitar os trabalhadores a "condições análogas à escravidão".
No entanto, apontou lacunas significativas na implementação do marco existente, particularmente nos níveis estadual e municipal. A corrupção também permite que as empresas contornem as leis existentes, disse o especialista.
Obokata insiste que o Governo do Brasil fortaleça a prevenção de formas contemporâneas de escravidão, investindo em educação, desenvolvimento sustentável e atividades geradoras de renda e assistência social em nível local, e que acelere a demarcação de terras tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas e quilombolas. O Brasil também deve responsabilizar as empresas, exigindo a devida diligência em direitos humanos e ambientais e aumentando a quantidade e a capacidade dos fiscais do trabalho.“O Brasil precisa abordar seu legado de escravidão e colonialismo fechando suas profundas lacunas raciais, socioeconômicas e geográficas, redistribuindo recursos de forma equitativa e protegendo os direitos humanos daqueles que tradicionalmente mais sofreram”, disse Obokata. O Relator Especial apresentará um relatório sobre sua visita ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro de 2026.Sobre o Relator Especial Tomoya Obokata é o Relator Especial sobre formas contemporâneas de escravidão, incluindo suas causas e consequências. Informações sobre a Relatoria Especial podem ser encontradas na página do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH): https://www.ohchr.org/en/special-procedures/sr-slavery Relatores Especiais/Especialistas Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O grupo de especialistas juntos, se denomina Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas em procedimentos especiais trabalham de forma voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem um salário por seu trabalho.
Enquanto o escritório de Direitos Humanos da ONU atua como o secretariado para os Procedimentos Especiais, os especialistas atuam em sua capacidade individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.
Observações e recomendações feitas especificamente para o país pelos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos do tratado e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/ Contatos para a imprensa:
Para consultas e solicitações da imprensa, entre em contato com: Satya JENNINGS (satya.jennings@un.org) ou Yuki SUZUKI (yuki.suzuki@un.org).
Para consultas da imprensa relacionadas a outros especialistas independentes da ONU, entre em contato com Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org) ou Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org)
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Notícias
28 agosto 2025
Plano de Mobilidade de Congonhas (MG) promove oficinas com moradoras e moradores
A iniciativa Horizontes Congonhas, parceria da Prefeitura de Congonhas com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) para a revisão do Plano Diretor e elaboração do Plano de Mobilidade da cidade mineira, está organizando mais um ciclo de três oficinas técnicas com a população. Os eventos serão transmitidos ao vivo no YouTube da prefeitura, nos dias 1º, 2 e 4 de setembro, das 19h às 21h.Com apoio da Secretaria de Gestão Urbana e da Secretaria de Segurança Pública e Trânsito, as oficinas gratuitas vão apresentar o diagnóstico completo da mobilidade urbana de Congonhas. Também serão abordadas algumas propostas de ações estratégicas para o Plano de Mobilidade.“Nosso diagnóstico foi baseado em três vertentes principais: a física – caracterização do sistema viário, estacionamentos, linhas de transporte; a comunitária e a quantitativa. Com esses dados, estamos estruturando o contexto, desenvolvendo prognósticos e buscando diretrizes que possam solucionar os problemas identificados. Assim, as oficinas apresentarão os dados que coletamos e algumas estratégias mais destacadas que foram baseadas nesses dados. Vale lembrar que o Plano de Mobilidade, inédito em Congonhas, será ainda mais completo e abordará outros temas. Vamos apresentar e discutir as ações com maior potencial estratégico para a mobilidade”, diz Paulo Monteiro, coordenador da equipe de mobilidade da iniciativa Horizontes Congonhas.
Confira as datas e os temas de cada oficina:1º de setembro – Oficina 1
Estrutura urbana e sistema viário, transporte de cargas urbanas e atividade minerária2 de setembro – Oficina 2
Mobilidade Ativa - pedestres e ciclistas, caminhabilidade e estacionamentos4 de setembro – Oficina 3
Transporte público, empreendimentos geradores de viagens e gestão institucionalPaulo Roberto Policarpo, Secretário de Gestão Urbana, lembra da importância da participação das pessoas no processo de construção dos Planos Diretor e de Mobilidade. “As oficinas de mobilidade são um momento fundamental para o futuro de Congonhas. É nelas que vamos apresentar os problemas e pensar em soluções para o nosso sistema de mobilidade, ouvir a população e construir juntos soluções que farão parte do Plano de Mobilidade e do Plano Diretor. A participação da população vai garantir que esses planos reflitam a realidade da cidade e as necessidades de quem vive aqui.”O diagnóstico - O plano de trabalho da equipe de mobilidade envolveu uma rica de coleta de dados, inclusive em contato direto com a população. A equipe de mobilidade, formada por 13 profissionais de diferentes áreas do conhecimento, aplicou questionários a moradoras e moradores com perguntas relacionadas a temas como trânsito, mobilidade, caminhabilidade, inclusive pedindo avaliações sobre a mobilidade no município.Além disso, especialistas estiveram presentes nas oficinas participativas do Plano Diretor, realizadas entre julho e setembro de 2024 em 14 regiões da cidade, registrando dados levantados pela população sobre o assunto mobilidade urbana.Também foram realizadas pesquisas quantitativas presenciais, com registros do fluxo de pedestres e do embarque e desembarque em pontos de ônibus, além da contagem de pedestres, bicicletas e veículos em pelo menos 20 pontos da cidade, e um diagnóstico físico da mobilidade de Congonhas por meio de registros fotográficos em centenas de pontos do município. Ainda foram acrescentados ao diagnóstico os dados mais recentes sobre mobilidade urbana que constam no sistema de informações da Prefeitura de Congonhas. Sobre o Plano de Mobilidade – Além de buscar melhorar a acessibilidade em todo o município, o plano deve promover a requalificação do espaço viário e da paisagem urbana; a revitalização de espaços públicos; a diversificação econômica da cidade; a redução dos impactos com deslocamentos; a redução da poluição; o aumento da segurança no trânsito; e a melhoria no sistema de transporte público, beneficiando as pessoas que moram e trabalham em Congonhas.Os momentos de validação do Plano de Mobilidade serão importantes para o trabalho de consolidação do texto do Plano Diretor. “Os pontos compatíveis ou pertinentes do Plano de Mobilidade serão incorporados no Plano Diretor. Trabalhando de forma integrada, a equipe do Plano de Mobilidade vai contribuir e desenvolver a temática de mobilidade para o Plano Diretor”, informa Paulo Monteiro.Horizontes Congonhas – Parceria entre a Prefeitura Municipal e o ONU-Habitat, a iniciativa Horizontes Congonhas promove a revisão do Plano Diretor e a criação do Plano de Mobilidade da histórica cidade mineira, com base em coletas de informações em diagnósticos, análises e treinamentos, destacando a participação popular.O foco dos planos é melhorar a qualidade de vida da população adotando leis municipais inclusivas, que orientem as políticas públicas e fortaleçam a cultura de tomada de decisões de forma transparente. Os planos pretendem promover a diversificação econômica, a inclusão social e a proteção socioambiental, contribuindo para que a cidade possa atrair mais investimentos.Desde junho de 2024, a iniciativa Horizontes Congonhas promoveu mais de 20 eventos participativos, com temas referentes ao Plano Diretor e Plano de Mobilidade do município. Dentre eles, duas audiências públicas e 14 oficinas participativas, abrangendo todas as regiões da cidade, com total de 470 participantes. Também foram realizadas pesquisas que registraram 580 contribuições presenciais da população e 761 contribuições enviadas online.Jonathan Souza Coelho Carmo, da diretoria de Licenciamento Urbano da Prefeitura de Congonhas e gestor do contrato da iniciativa, destaca a participação de moradoras e moradores na criação do Plano de Mobilidade e na revisão do Plano Diretor. “Assim como ocorreu nas oficinas iniciais do projeto, a participação popular nestas novas etapas é de suma importância. É a partir da construção coletiva que conseguimos refletir a verdadeira realidade da mobilidade em nossa cidade e, com isso, garantir que o Plano de Mobilidade e o Plano Diretor sejam instrumentos legítimos, representativos e voltados às necessidades da nossa população.”No início de 2025, as equipes do ONU-Habitat apresentaram as proposições preliminares dos planos à Prefeitura de Congonhas. Desde então, as propostas tramitaram em diferentes secretarias municipais, incluindo Gestão Urbana, Planejamento, Habitação, Obras, Segurança Pública e Trânsito, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, dentre outras. A próxima audiência pública da iniciativa vai apresentar e debater essas propostas discutidas internamente.Depois de aprovados publicamente, os textos do Plano Diretor e do Plano de Mobilidade serão encaminhados para o legislativo municipal com o objetivo de se tornarem leis.Mais informações e contato – Para atender a população, a iniciativa Horizontes Congonhas disponibilizou um canal de canal de comunicação oficial por meio do número de WhatsApp (31) 98397-7655. Neste número, é possível enviar dúvidas, sugestões e avaliações, e receber novidades do projeto. Além disso, informações detalhadas sobre o trabalho realizado até agora estão disponíveis no portal da prefeitura de Congonhas: bit.ly/horizontescongonhas.Serviço:
Oficinas técnicas do Plano de Mobilidade de Congonhas (MG)
Datas: 1º, 2 e 4 de setembro de 2025
Horário: das 19h às 21h
Ao vivo no Youtube @CanalCongonhasMG--Contato para imprensa:
Ludmilla Balduino (ludmilla.balduino@un.org)
Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)
Confira as datas e os temas de cada oficina:1º de setembro – Oficina 1
Estrutura urbana e sistema viário, transporte de cargas urbanas e atividade minerária2 de setembro – Oficina 2
Mobilidade Ativa - pedestres e ciclistas, caminhabilidade e estacionamentos4 de setembro – Oficina 3
Transporte público, empreendimentos geradores de viagens e gestão institucionalPaulo Roberto Policarpo, Secretário de Gestão Urbana, lembra da importância da participação das pessoas no processo de construção dos Planos Diretor e de Mobilidade. “As oficinas de mobilidade são um momento fundamental para o futuro de Congonhas. É nelas que vamos apresentar os problemas e pensar em soluções para o nosso sistema de mobilidade, ouvir a população e construir juntos soluções que farão parte do Plano de Mobilidade e do Plano Diretor. A participação da população vai garantir que esses planos reflitam a realidade da cidade e as necessidades de quem vive aqui.”O diagnóstico - O plano de trabalho da equipe de mobilidade envolveu uma rica de coleta de dados, inclusive em contato direto com a população. A equipe de mobilidade, formada por 13 profissionais de diferentes áreas do conhecimento, aplicou questionários a moradoras e moradores com perguntas relacionadas a temas como trânsito, mobilidade, caminhabilidade, inclusive pedindo avaliações sobre a mobilidade no município.Além disso, especialistas estiveram presentes nas oficinas participativas do Plano Diretor, realizadas entre julho e setembro de 2024 em 14 regiões da cidade, registrando dados levantados pela população sobre o assunto mobilidade urbana.Também foram realizadas pesquisas quantitativas presenciais, com registros do fluxo de pedestres e do embarque e desembarque em pontos de ônibus, além da contagem de pedestres, bicicletas e veículos em pelo menos 20 pontos da cidade, e um diagnóstico físico da mobilidade de Congonhas por meio de registros fotográficos em centenas de pontos do município. Ainda foram acrescentados ao diagnóstico os dados mais recentes sobre mobilidade urbana que constam no sistema de informações da Prefeitura de Congonhas. Sobre o Plano de Mobilidade – Além de buscar melhorar a acessibilidade em todo o município, o plano deve promover a requalificação do espaço viário e da paisagem urbana; a revitalização de espaços públicos; a diversificação econômica da cidade; a redução dos impactos com deslocamentos; a redução da poluição; o aumento da segurança no trânsito; e a melhoria no sistema de transporte público, beneficiando as pessoas que moram e trabalham em Congonhas.Os momentos de validação do Plano de Mobilidade serão importantes para o trabalho de consolidação do texto do Plano Diretor. “Os pontos compatíveis ou pertinentes do Plano de Mobilidade serão incorporados no Plano Diretor. Trabalhando de forma integrada, a equipe do Plano de Mobilidade vai contribuir e desenvolver a temática de mobilidade para o Plano Diretor”, informa Paulo Monteiro.Horizontes Congonhas – Parceria entre a Prefeitura Municipal e o ONU-Habitat, a iniciativa Horizontes Congonhas promove a revisão do Plano Diretor e a criação do Plano de Mobilidade da histórica cidade mineira, com base em coletas de informações em diagnósticos, análises e treinamentos, destacando a participação popular.O foco dos planos é melhorar a qualidade de vida da população adotando leis municipais inclusivas, que orientem as políticas públicas e fortaleçam a cultura de tomada de decisões de forma transparente. Os planos pretendem promover a diversificação econômica, a inclusão social e a proteção socioambiental, contribuindo para que a cidade possa atrair mais investimentos.Desde junho de 2024, a iniciativa Horizontes Congonhas promoveu mais de 20 eventos participativos, com temas referentes ao Plano Diretor e Plano de Mobilidade do município. Dentre eles, duas audiências públicas e 14 oficinas participativas, abrangendo todas as regiões da cidade, com total de 470 participantes. Também foram realizadas pesquisas que registraram 580 contribuições presenciais da população e 761 contribuições enviadas online.Jonathan Souza Coelho Carmo, da diretoria de Licenciamento Urbano da Prefeitura de Congonhas e gestor do contrato da iniciativa, destaca a participação de moradoras e moradores na criação do Plano de Mobilidade e na revisão do Plano Diretor. “Assim como ocorreu nas oficinas iniciais do projeto, a participação popular nestas novas etapas é de suma importância. É a partir da construção coletiva que conseguimos refletir a verdadeira realidade da mobilidade em nossa cidade e, com isso, garantir que o Plano de Mobilidade e o Plano Diretor sejam instrumentos legítimos, representativos e voltados às necessidades da nossa população.”No início de 2025, as equipes do ONU-Habitat apresentaram as proposições preliminares dos planos à Prefeitura de Congonhas. Desde então, as propostas tramitaram em diferentes secretarias municipais, incluindo Gestão Urbana, Planejamento, Habitação, Obras, Segurança Pública e Trânsito, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, dentre outras. A próxima audiência pública da iniciativa vai apresentar e debater essas propostas discutidas internamente.Depois de aprovados publicamente, os textos do Plano Diretor e do Plano de Mobilidade serão encaminhados para o legislativo municipal com o objetivo de se tornarem leis.Mais informações e contato – Para atender a população, a iniciativa Horizontes Congonhas disponibilizou um canal de canal de comunicação oficial por meio do número de WhatsApp (31) 98397-7655. Neste número, é possível enviar dúvidas, sugestões e avaliações, e receber novidades do projeto. Além disso, informações detalhadas sobre o trabalho realizado até agora estão disponíveis no portal da prefeitura de Congonhas: bit.ly/horizontescongonhas.Serviço:
Oficinas técnicas do Plano de Mobilidade de Congonhas (MG)
Datas: 1º, 2 e 4 de setembro de 2025
Horário: das 19h às 21h
Ao vivo no Youtube @CanalCongonhasMG--Contato para imprensa:
Ludmilla Balduino (ludmilla.balduino@un.org)
Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)
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27 agosto 2025
Credenciamento para coletiva de imprensa com Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão
O Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão, Tomoya Obokata, realiza uma visita ao Brasil de 18 a 29 de agosto de 2025.Durante a visita, o Relator Especial examinará até que ponto o Brasil tem conseguido enfrentar de forma eficaz as formas contemporâneas de escravidão, incluindo suas causas e consequências. Ele identificará práticas encorajadoras e desafios contínuos, propondo recomendações práticas para serem implementadas pelo Governo.Será dada atenção especial a indivíduos ou grupos que enfrentam risco elevado de exploração em formas contemporâneas de escravidão, incluindo migrantes, solicitantes de asilo, povos indígenas, pessoas pertencentes a minorias religiosas, étnicas ou linguísticas, e trabalhadores de setores de alto risco ou de áreas rurais. Obokata também examinará casos de trabalho infantil e casamento precoce/forçado.
Durante a visita, o especialista se reunirá com autoridades governamentais, representantes da sociedade civil, instituições de direitos humanos, titulares de direitos de populações afetadas, especialistas acadêmicos, sindicatos e outras organizações de trabalhadores, empresas privadas, representantes da ONU e outros atores.Coletiva de imprensa híbrida no Rio de Janeiro Obokata realizará uma coletiva de imprensa híbrida na sexta-feira, 29 de agosto, para apresentar observações preliminares e recomendações iniciais ao Brasil. O acesso será estritamente limitado a jornalistas cadastrados. Serviço: Coletiva de imprensa com o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão Data: 29 de agosto de 2025, sexta-feiraHorário: 11h (horário de Brasília)Local: Palácio Itamaraty, Avenida Marechal Floriano, 196 Centro, Rio de Janeiro – RJCredenciamento: Para se registrar na coletiva de imprensa, envie um e-mail para unic-riodejaneiro@un.org com o assunto: Solicitação de registro para coletiva de imprensa.Prazo para credenciamento: 28 de agosto, quinta-feira. O Relator Especial apresentará seu relatório final ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro de 2026.Contatos para a imprensa: Para dúvidas e solicitações de imprensa, entre em contato com Satya Jennings, Oficial de Direitos Humanos (satya.jennings@un.org) e Yuki Suzuki, Especialista Associada (yuki.suzuk@un.org) no Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), em Genebra.Acompanhe notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no X: @UN_SPExperts.NOTA PARA EDITORESTomoya Obokata é o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão.Relatores Especiais/Especialistas Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Juntos, esses especialistas são conhecidos como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham de forma voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem salário por seu trabalho. Embora o escritório de Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam em sua capacidade individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a ONU. Quaisquer opiniões apresentadas são exclusivamente do autor e não representam necessariamente as da ONU ou do ACNUDH.Observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos de tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos.
Mais informações sobre as ações do ACNUDH no Brasil.Veja aqui mais informações sobre a Relatoria Especial sobre formas contemporâneas de escravidão.
Durante a visita, o especialista se reunirá com autoridades governamentais, representantes da sociedade civil, instituições de direitos humanos, titulares de direitos de populações afetadas, especialistas acadêmicos, sindicatos e outras organizações de trabalhadores, empresas privadas, representantes da ONU e outros atores.Coletiva de imprensa híbrida no Rio de Janeiro Obokata realizará uma coletiva de imprensa híbrida na sexta-feira, 29 de agosto, para apresentar observações preliminares e recomendações iniciais ao Brasil. O acesso será estritamente limitado a jornalistas cadastrados. Serviço: Coletiva de imprensa com o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão Data: 29 de agosto de 2025, sexta-feiraHorário: 11h (horário de Brasília)Local: Palácio Itamaraty, Avenida Marechal Floriano, 196 Centro, Rio de Janeiro – RJCredenciamento: Para se registrar na coletiva de imprensa, envie um e-mail para unic-riodejaneiro@un.org com o assunto: Solicitação de registro para coletiva de imprensa.Prazo para credenciamento: 28 de agosto, quinta-feira. O Relator Especial apresentará seu relatório final ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro de 2026.Contatos para a imprensa: Para dúvidas e solicitações de imprensa, entre em contato com Satya Jennings, Oficial de Direitos Humanos (satya.jennings@un.org) e Yuki Suzuki, Especialista Associada (yuki.suzuk@un.org) no Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), em Genebra.Acompanhe notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no X: @UN_SPExperts.NOTA PARA EDITORESTomoya Obokata é o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravidão.Relatores Especiais/Especialistas Independentes/Grupos de Trabalho são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Juntos, esses especialistas são conhecidos como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham de forma voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem salário por seu trabalho. Embora o escritório de Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam em sua capacidade individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a ONU. Quaisquer opiniões apresentadas são exclusivamente do autor e não representam necessariamente as da ONU ou do ACNUDH.Observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos de tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos.
Mais informações sobre as ações do ACNUDH no Brasil.Veja aqui mais informações sobre a Relatoria Especial sobre formas contemporâneas de escravidão.
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26 agosto 2025
Brasília recebe II Conferência Internacional sobre Resíduos Sólidos e Saneamento
Evento híbrido vai reunir mais de 35 mil participantes em quatro dias, com painéis, feiras de negócios sustentáveis, festival de arte e cultura, exposições, espaço jovem e representantes de vários estados.A partir desta terça-feira (26/8), Brasília será palco da II Conferência Internacional sobre Resíduos Sólidos e Saneamento (CIRSOL), um dos mais relevantes eventos globais voltados à gestão de resíduos e ao saneamento básico. Com o tema “O impacto da gestão de resíduos sólidos e do saneamento básico frente ao agravamento das mudanças climáticas”, a conferência, entre 26 e 29 de agosto, deverá reunir mais de 35 mil participantes, entre presenciais e virtuais. O evento será no Museu Nacional da República, na Universidade Mackenzie e no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.O Brasil produz anualmente cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos, mas apenas cerca de 4% desse total é reaproveitado ou reciclado. “Faltando pouco mais de dois meses para a COP30, faremos ampla discussão sobre meio ambiente, aquecimento do planeta, saneamento e a política de economia circular”, afirma a coordenadora geral da CIRSOL, Ana Paula Rodrigues.
O evento conta com a correalização do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Instituto de Cooperação Internacional para o Meio Ambiente (ICIMA), além de outras 43 instituições do Brasil, e do exterior que assinaram o Memorando de Entendimento com o PNUD, órgão vinculado a Organizações das Nações Unidas (ONU) para a realização conjunta da II CIRSOL em Brasília. Um dos focos do PNUD na conferência será apresentar ações do Brasil para a implementação do Protocolo de Montreal, importante tratado ambiental internacional focado na proteção da camada de ozônio, essencial para filtrar a radiação solar.“A conferência vai muito além da discussão técnica. Ela integra a sociedade civil, a juventude e a academia, mostrando que a transição para um futuro sustentável deve ser inclusiva. É uma oportunidade excepcional para o Brasil mostrar suas ações e aprender com as experiências globais”, destaca a coordenadora da Unidade de Cooperação Descentralizada do PNUD no Brasil, Ieva Lazareviciute.Diversidade e inclusãoA programação inclui 50 painéis com especialistas nacionais e internacionais, representantes do setor público e privado, academia, sociedade civil e organismos multilaterais. Um dos destaques será o Espaço Pró-Catador, voltado para cooperativas e associações de catadores, reconhecendo o papel essencial de mais de 1 milhão de trabalhadores que atuam na coleta de recicláveis no Brasil.Outro momento marcante será o Desfile de Moda Circular, com peças criadas a partir de materiais reaproveitados. Garis e catadores exibirão as roupas na passarela.A juventude também terá espaço garantido no CIRSOL Jovem, com atividades educativas, exposições de projetos escolares e universitários, oficinas e palestras sobre reciclagem e consumo consciente.Além dos painéis e atrações culturais, como o Festival de Arte e Cultura, o evento contará com duas feiras: a Feira de Negócios e Resíduos Sólidos e Saneamento, com participação de empresas e instituições da indústria e comércio; e a Feira de Sustentabilidade de Microempreendedores, voltada à promoção de serviços inovadores e futuros verdes.Serviço:Data: 26 a 29 de agosto de 2025
Local: Museu Nacional da República (abertura oficial da CIRSOL) - Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade (Feira de Negócios Sustentáveis) e Faculdade Presbiteriana Mackenzie (902 Sul) – Brasília/DF.
Formato: Híbrido (presencial e virtual, com transmissão ao vivo pelo site aos inscritos e tradução simultânea)
Evento gratuito
Contato: (61) 3020-1405
E-mail: contato@cirsol.com.brMais informações: www.cirsol.com.brAssessoria de comunicação:
L&F Comunicação
Mauro Arbex - (11) 99519-7155 - mauroarbex@gmail.com
Fernando Poyares – (11) 99988-9725 - fampoyares@gmail.com
Marcelo Soderi – (11) 99937-3431 marcelosoderi1966@gmail.com
PNUD Brasil – comunica.br@undp.org
O evento conta com a correalização do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Instituto de Cooperação Internacional para o Meio Ambiente (ICIMA), além de outras 43 instituições do Brasil, e do exterior que assinaram o Memorando de Entendimento com o PNUD, órgão vinculado a Organizações das Nações Unidas (ONU) para a realização conjunta da II CIRSOL em Brasília. Um dos focos do PNUD na conferência será apresentar ações do Brasil para a implementação do Protocolo de Montreal, importante tratado ambiental internacional focado na proteção da camada de ozônio, essencial para filtrar a radiação solar.“A conferência vai muito além da discussão técnica. Ela integra a sociedade civil, a juventude e a academia, mostrando que a transição para um futuro sustentável deve ser inclusiva. É uma oportunidade excepcional para o Brasil mostrar suas ações e aprender com as experiências globais”, destaca a coordenadora da Unidade de Cooperação Descentralizada do PNUD no Brasil, Ieva Lazareviciute.Diversidade e inclusãoA programação inclui 50 painéis com especialistas nacionais e internacionais, representantes do setor público e privado, academia, sociedade civil e organismos multilaterais. Um dos destaques será o Espaço Pró-Catador, voltado para cooperativas e associações de catadores, reconhecendo o papel essencial de mais de 1 milhão de trabalhadores que atuam na coleta de recicláveis no Brasil.Outro momento marcante será o Desfile de Moda Circular, com peças criadas a partir de materiais reaproveitados. Garis e catadores exibirão as roupas na passarela.A juventude também terá espaço garantido no CIRSOL Jovem, com atividades educativas, exposições de projetos escolares e universitários, oficinas e palestras sobre reciclagem e consumo consciente.Além dos painéis e atrações culturais, como o Festival de Arte e Cultura, o evento contará com duas feiras: a Feira de Negócios e Resíduos Sólidos e Saneamento, com participação de empresas e instituições da indústria e comércio; e a Feira de Sustentabilidade de Microempreendedores, voltada à promoção de serviços inovadores e futuros verdes.Serviço:Data: 26 a 29 de agosto de 2025
Local: Museu Nacional da República (abertura oficial da CIRSOL) - Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade (Feira de Negócios Sustentáveis) e Faculdade Presbiteriana Mackenzie (902 Sul) – Brasília/DF.
Formato: Híbrido (presencial e virtual, com transmissão ao vivo pelo site aos inscritos e tradução simultânea)
Evento gratuito
Contato: (61) 3020-1405
E-mail: contato@cirsol.com.brMais informações: www.cirsol.com.brAssessoria de comunicação:
L&F Comunicação
Mauro Arbex - (11) 99519-7155 - mauroarbex@gmail.com
Fernando Poyares – (11) 99988-9725 - fampoyares@gmail.com
Marcelo Soderi – (11) 99937-3431 marcelosoderi1966@gmail.com
PNUD Brasil – comunica.br@undp.org
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25 agosto 2025
Países da América Latina e do Caribe trocam experiências sobre programas de alimentação escolar na Amazônia
Representantes de 15 países da América Latina e do Caribe conheceram de forma mais profunda e prática a realidade da execução dos programas de alimentação escolar na Amazônia, durante um evento internacional realizado nesta semana em Manaus. Com o título “Programas de alimentação escolar implementados na Amazônia: desafios e oportunidades”, o encontro aconteceu de 18 a 21 de agosto.A iniciativa foi organizada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), em conjunto com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Além disso, contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de Manaus (SEMED), da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Governo do Amazonas (SEDUC) e do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).Durante a semana, as delegações internacionais visitaram escolas, creches, cooperativas e agricultores, além de dialogar com comunidades indígenas e representantes do programa de alimentação escolar dos municípios de Manaus, Presidente Figueiredo e Tonantins, no Amazonas.Participaram do evento representantes dos governos de Belize, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, Paraguai, República Dominicana, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, Suriname e Uruguai – países membros da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES). Essa rede foi criada pelo governo do Brasil em 2018, com apoio da FAO, para fortalecer e consolidar os programas de alimentação escolar na América Latina e no Caribe.Máximo Torero, economista-chefe da FAO e Representante Regional interino para a América Latina e o Caribe, ressaltou que as políticas de alimentação escolar, que conectam as compras diretas aos produtores, representam uma oportunidade-chave para garantir o direito a uma alimentação adequada, promover ambientes alimentares saudáveis e impulsionar o desenvolvimento territorial local, fortalecendo os meios de vida por meio das compras públicas.Em suas palavras, a presidenta do FNDE, Fernanda Pacobahyba, destacou a importância de iniciativas como essa, pois possibilitam a imersão nas diversas realidades e regiões do Brasil. “Ao promover a inclusão das comunidades indígenas e tradicionais na cadeia produtiva da alimentação escolar, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) na Amazônia mostra que é possível conciliar segurança alimentar, respeito cultural e economia local. Este encontro abriu espaço para intercâmbios fundamentais e transforma essa experiência em inspiração para outras regiões com desafios semelhantes”, afirmou.A experiência de compras públicas de comunidades tradicionais foi destacada na conferência do procurador Fernando Soave, representante da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas (Catrapoa), uma iniciativa criada e coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF). Ele detalhou o processo de aquisição de produtos de pequenos agricultores, incluindo indígenas, para abastecer as escolas públicas. Uma ação que melhora a qualidade nutricional, respeita a cultura e os hábitos alimentares locais e aumenta a renda dos produtores, estimulando a economia de forma sustentável em regiões vulneráveis.Cecilia Malaguti, responsável pela cooperação Sul-Sul trilateral com organismos internacionais da ABC/MRE, afirmou que a troca de experiências permitiu aos visitantes conhecer de perto os programas de alimentação escolar do norte do Brasil e suas particularidades. “Além disso, no dia final do encontro, os países continuaram construindo juntos a agenda regional de alimentação escolar sustentável, tão estratégica para a região”, afirmou.A secretária de Estado de Educação do Amazonas, Arlete Mendonça, reafirmou o compromisso do governo local de fazer com que a alimentação escolar chegue a todos os estudantes do estado, que conta com 62 municípios, 380 mil alunos e uma extensão territorial maior que a de muitos países. “Nos motiva compartilhar nossas experiências em eventos como este, já que é necessário discutir e compreender as particularidades amazônicas e nossos desafios diários para garantir uma alimentação escolar de qualidade em toda a nossa rede de ensino”, disse.Júnior Mar, secretário municipal de Educação de Manaus, afirmou que a alimentação escolar deve ser vista como parte essencial do processo de aprendizagem e que há cerca de 250 mil estudantes na rede municipal, sendo uma das maiores do Brasil. “É com alimentos de qualidade, preparados com responsabilidade e respeito às nossas crianças, que garantimos mais atenção em sala de aula, mais saúde e mais dignidade. Com o apoio do governo federal, estamos ampliando investimentos, valorizando os fornecedores locais e fortalecendo o papel da escola como espaço de cuidado e desenvolvimento. Alimentar bem é educar com excelência”.Tanara Lauschner, reitora da UFAM e presente na mesa de abertura, comentou que foi importante poder contribuir com a troca de conhecimentos e experiências sobre a assistência técnica oferecida pelo Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar (Cecane). “O trabalho do CECANE tem sido essencial para a promoção da segurança alimentar e nutricional na região e, durante a missão técnica no Brasil, apresentamos sua estratégia de apoio ao PNAE. É motivo de orgulho para a UFAM, pois sabemos que também colaboraremos no fortalecimento dos programas de alimentação escolar na América Latina e no Caribe”.Najla, secretária-executiva da Rede RAES e especialista em alimentação escolar da FAO, afirmou que, a partir de sua experiência de 16 anos na região, com atividades presenciais e em campo, como esta em Manaus, seja no Brasil ou em outros países, “os gestores vivenciam diálogos mais profundos sobre uma determinada realidade, ampliam a visão do programa a médio e longo prazo e contam com mais elementos para a tomada de decisões com maior segurança e eficácia em seus países”.Cooperação internacional
Desde 2009, o governo do Brasil, por meio da ABC e do FNDE, e a FAO trabalham juntos na região para fortalecer a implementação de boas práticas e experiências em programas de alimentação escolar, por meio do Programa de Cooperação Internacional Brasil–FAO, tomando como referência a experiência acumulada do PNAE, que atende diretamente a quase 40 milhões de estudantes por dia, em parceria com os 27 estados e 5.570 municípios brasileiros.
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