Institucional

CGEE celebra 25 anos e projeta o futuro da ciência, tecnologia e inovação no Brasil

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) comemorou, ontem (4), em Brasília (DF), os seus 25 anos de atuação com um encontro dedicado a refletir sobre as transformações que marcaram as últimas décadas e os caminhos que o Brasil poderá construir até 2051. Com o tema “CGEE 25 + 25: e se estivéssemos celebrando em 2051?”, a programação teve início com uma cerimônia de abertura que destacou a contribuição do Centro para o planejamento estratégico e a formulação de políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação. 

A programação contou com o patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do governo federal.

Na abertura, o diretor-presidente do CGEE, o professor Anderson Gomes, convidou o público a imaginar o Brasil de 2051 e a refletir sobre as escolhas feitas no presente. Em um exercício de projeção para esse futuro, imaginou a leitura de manchetes do World News que destacariam o protagonismo brasileiro em minerais críticos e inteligência artificial. Outra manchete anunciaria que o país havia alcançado uma década com expectativa de vida saudável superior a 80 anos. Na reflexão proposta pelo presidente, esses avanços seriam resultado da articulação entre conhecimento, capacidade de antecipação, políticas públicas e continuidade das ações.

Ao relacionar passado, presente e futuro, o diretor-presidente recorreu ao conceito de “tempo tríbio”, associado ao pensamento de Gilberto Freyre. A ideia, explicou, ajuda a compreender o presente como tempo de escolhas, mas também de memória e de construção do futuro.

Gomes ressaltou que o CGEE foi criado para atuar na interface entre conhecimento, estratégia e decisão. Ao longo de sua trajetória, o Centro mobiliza a comunidade científica, produz estudos e diagnósticos, desenvolve cenários, integra diferentes atores e apoia a formulação, o aperfeiçoamento e a avaliação de políticas públicas.

“Uma inteligência estratégica para a ação pública” foi a definição apresentada pelo diretor-presidente para o papel do CGEE. De acordo com ele, a instituição não substitui os atores envolvidos na construção das políticas, mas amplia sua capacidade de tomar decisões fundamentadas em evidências e em uma visão de longo prazo.

Ao abordar a missão de antecipar caminhos, Gomes destacou que o trabalho do Centro não consiste em adivinhar o futuro, mas em identificar sinais de transformação com antecedência suficiente para orientar escolhas. “A gente não precisa adivinhar o futuro nem prever, mas a gente precisa perceber cedo o suficiente para que ainda possamos escolhê-lo”, afirmou.

O diretor-presidente também ressaltou a importância das pessoas que construíram a instituição ao longo dos anos e a contribuição do CGEE para o país. Ao concluir, associou a sigla da instituição à ideia de “cuidando de gerar estratégias para o Estado”, reforçando o compromisso do Centro com a inteligência estratégica e a ação pública.

Trajetória

Na sequência, o professor Fernando Rizzo, ex-diretor-presidente do CGEE e coordenador das comemorações dos 25 anos, agradeceu à comissão responsável pela organização das atividades realizadas ao longo do ano, em maio, setembro e novembro.

Rizzo recordou a sua relação com o Centro, que começou ainda na assembleia de criação da instituição. Em 2006, ingressou no CGEE como diretor, a convite da então presidente, a professora Lúcia Melo. Depois de um período em que esteve à frente do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), mantendo a interlocução com o Centro, retornou como diretor-presidente do CGEE, onde permaneceu até o início de 2026. Ao todo, foram cerca de 20 anos de convivência e atuação próxima à instituição.

Para ilustrar a dimensão das mudanças que marcaram esse período, o professor comparou as transformações tecnológicas observadas entre 1975 e 2000 com aquelas ocorridas entre 2001 e 2026. Ao recordar o início de sua trajetória acadêmica, mencionou o uso dos computadores de grande porte, os mainframes, e a posterior chegada da internet e dos computadores pessoais, que marcaram a passagem da era industrial para a era da informação.

Nos 25 anos seguintes, outras transformações alteraram profundamente a vida cotidiana e as formas de conexão e produção de conhecimento. Smartphones, redes digitais, internet de alta velocidade, computação em nuvem e inteligência artificial passaram a integrar o cotidiano, ao lado de ferramentas e serviços que hoje parecem indispensáveis, mas que não existiam quando o CGEE foi criado.

Na avaliação de Rizzo, o país está novamente diante de um futuro cujas transformações ainda são difíceis de dimensionar. Em 2051, observou, algumas das novidades consideradas avançadas atualmente poderão estar obsoletas. Nesse contexto, destacou a pertinência do lema do CGEE, “Onde o futuro está presente”, e a importância dos estudos de antecipação desenvolvidos pela instituição.

Ao concluir, o professor agradeceu aos colaboradores, aos ex-colaboradores, às diretorias e aos conselheiros que contribuíram para a construção e a continuidade do Centro, inclusive durante períodos de dificuldades. Também ressaltou a contribuição da instituição para o país ao longo de sua trajetória.

Presenças

A cerimônia de abertura contou, ainda, com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; do professor sênior de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP), ex-ministro da Educação e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine Ribeiro; e do presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antonio Elias. 

Também estiveram presentes na plateia o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida Filho; a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Brito Latgé; o secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, Henrique de Oliveira Miguel; a presidenta interina do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Dalila Oliveira; e a diretora do CNPq, Mônica Felps.

Participaram, ainda, o diretor do Observatório Nacional, Jailson Alcaniz; o presidente-diretor da Biotec Amazônia, José Seixas Lourenço; o diretor de Projetos Estratégicos e Relações Internacionais do CGEE, Caetano Penna; e a diretora de Projetos Estratégicos e Relações Institucionais do CGEE, Connie McMenos, além de integrantes da diretoria e dos conselhos do Centro, colaboradores, ex-colaboradores e representantes de instituições do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

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