O Brasil está preparado para as transformações que poderão redefinir o mundo nas próximas décadas? Como antecipar mudanças que ainda não conseguimos compreender plenamente? E que decisões precisam ser tomadas agora para que o país tenha condições de participar da construção de seu próprio futuro?
Essas perguntas dão o tom do encontro CGEE 25+25 – E se estivéssemos celebrando em 2051?, que será realizado no dia 4 de novembro, a partir das 14h, no Brasília Palace Hotel, em Brasília. A programação reunirá especialistas e representantes de diferentes áreas para discutir os desafios de imaginar e construir o Brasil dos próximos 25 anos.
A iniciativa integra as comemorações dos 25 anos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e tem patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Com o mote “25 anos de trajetória. 25 anos de futuro”, a proposta é deslocar o olhar das previsões sobre tecnologias específicas para uma reflexão mais ampla sobre as transformações sociais, econômicas, científicas e institucionais que poderão marcar o país até 2051.
Imaginar o que ainda não está no horizonte
Um dos desafios de pensar o futuro é reconhecer que as referências utilizadas hoje podem não ser suficientes para compreender as mudanças que estão por vir. Essa provocação estará na palestra magna de Silvio Meira, cofundador do Porto Digital e do CESAR e TIME advisor da LeFil. Em “O futuro que ainda não sabemos construir”, o especialista abordará transformações profundas já em curso e a dificuldade de incorporá-las às estratégias de longo prazo.
A discussão sobre o país que poderá emergir dessas mudanças será aprofundada pela economista Tânia Bacelar de Araújo, professora emérita da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em “2051: que Brasil ainda não existe?”, a reflexão passa pelas possíveis mudanças na organização do território, na dinâmica demográfica, no trabalho, na economia e nas relações sociais.
Outra dimensão do debate será conduzida por Nina da Hora, fundadora do Instituto da Hora e pesquisadora do Recod.ai, com atuação em ética em inteligência artificial. Sua palestra, “O que hoje parece impossível?”, propõe olhar para ideias e possibilidades que ainda não ocupam o centro das discussões, mas que poderão provocar mudanças significativas na sociedade brasileira.
Quem terá condições de participar desse futuro?
Pensar o desenvolvimento também exige discutir como as oportunidades serão distribuídas. Em “2051: quem terá direito ao futuro?”, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, abordará os desafios de construir um país capaz de converter transformações científicas, tecnológicas e econômicas em inclusão, redução das desigualdades e ampliação de oportunidades.
A discussão sobre o futuro brasileiro também depende da capacidade de suas instituições de reconhecer mudanças e agir diante delas. Esse será o ponto de partida de Luiz Antônio Elias, presidente da Finep, na palestra “De que instituição o Brasil precisará para pensar o futuro em 2051?”. A reflexão coloca em pauta a necessidade de estruturas permanentes de inteligência, planejamento e antecipação, capazes de aproximar conhecimento científico, formulação de políticas públicas e decisões de Estado.
Antecipar para transformar
“As questões propostas pelo encontro dialogam com desafios que já mobilizam o Brasil e a comunidade internacional: inteligência artificial, mudanças climáticas, transição energética, biotecnologia, novos materiais, minerais críticos, soberania tecnológica e transformações geopolíticas. O desafio, entretanto, não está apenas em acompanhar essas agendas, mas em compreender como elas se relacionam e quais capacidades o país precisa desenvolver para responder a diferentes cenários”, afirmou Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE.
De acordo com o dirigente, é nesse campo que se insere a atuação do CGEE. Ao longo de 25 anos, o Centro tem produzido estudos estratégicos, exercícios de prospecção e avaliações de políticas públicas para subsidiar decisões e fortalecer o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI). A experiência acumulada orienta agora uma reflexão sobre o que será necessário construir para que o Brasil tenha maior capacidade de antecipar transformações e formular estratégias de longo prazo.
A pergunta que atravessa o encontro é, portanto, menos sobre como será o mundo em 2051 e mais sobre o que o Brasil precisa começar a fazer para estar preparado.
Serviço
CGEE 25+25 – E se estivéssemos celebrando em 2051?
Data: 4 de novembro de 2026
Horário: a partir das 14h
Transmissão: on-line e gratuita
Faça a sua inscrição e participe do debate sobre os futuros possíveis para o Brasil.
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