EVENTO CIENTÍFICO

Presidente do CGEE defende estratégia integrada para terras raras

Gomes defende que o Brasil precisa avançar além da mineração e desenvolver capacidades científicas, tecnológicas e industriais nos diferentes elos da cadeia produtiva

O presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Anderson Gomes, participou, nesta segunda-feira (14), do painel “Políticas de Estado para Terras Raras: Ciência, Indústria e Estratégia Geopolítica”, realizado durante o XXII Encontro Brasileiro de Química Inorgânica (BMIC 2026), em Armação dos Búzios (RJ).

O debate reuniu também Ana Cláudia Queiroz Ladeira e Luís Gonzaga Trabasso, sob a coordenação de Fernando Sigoli. Durante o painel, Anderson Gomes abordou as oportunidades e os desafios para o desenvolvimento da cadeia brasileira de terras raras, com ênfase na necessidade de articular ciência, indústria, financiamento e políticas públicas de longo prazo.

Segundo o presidente do CGEE, a dimensão estratégica desses elementos ultrapassa a disponibilidade de reservas minerais. O principal desafio para o Brasil é desenvolver competências nas etapas em que se concentram conhecimento, tecnologia e maior valor econômico, como separação e refino, produção de metais e ligas, fabricação de ímãs permanentes e integração desses materiais a produtos de alta tecnologia.

As terras raras são utilizadas em setores como transição energética, mobilidade elétrica, eletrônica avançada, inteligência artificial, telecomunicações, indústria aeroespacial e defesa. Apesar de possuir recursos minerais expressivos e uma base científica reconhecida, o Brasil ainda precisa ampliar sua capacidade industrial para transformar essas vantagens em desenvolvimento econômico, inovação e geração de empregos qualificados.

A participação de Anderson Gomes teve como referência o estudo Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040, recentemente lançado pelo CGEE. A publicação propõe uma trajetória para que o país avance de forma coordenada nos diferentes elos da cadeia produtiva e conquiste uma posição mais relevante no mercado internacional.

O mapa do caminho apresentado pelo CGEE está organizado em três horizontes. Entre 2026 e 2030, a prioridade é estabelecer as bases institucionais, científicas e industriais, com avanços em separação, refino, produção de metais e plantas-piloto de ligas e ímãs. De 2031 a 2035, o foco recai sobre o ganho de escala e a integração industrial. Entre 2036 e 2040, a perspectiva é consolidar o Brasil como liderança regional e ampliar sua inserção nas cadeias globais de produtos de maior valor agregado.

A discussão também ressaltou a importância de uma política de Estado capaz de coordenar governo, universidades, centros de pesquisa, empresas e agentes financeiros. Essa articulação é considerada fundamental para formar recursos humanos, reduzir riscos tecnológicos, estimular investimentos e assegurar que o avanço da mineração seja acompanhado pelo desenvolvimento dos demais elos da cadeia.

O BMIC 2026 ocorre entre os dias 13 e 16 de setembro, juntamente com o X Encontro Latino-Americano de Química Inorgânica Biológica (LABIC), o XI Encontro Brasileiro de Terras Raras (BMRE) e o IV Workshop de Química Bioinorgânica Teórica (WTBC). A programação reúne pesquisadores, especialistas, representantes do setor produtivo e formuladores de políticas públicas para debater avanços científicos e questões estratégicas relacionadas à química inorgânica e às terras raras.

Saiba mais: Program in PDF format | BMIC 2026

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