Avaliação estratégica dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), conduzida pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi tema do editorial do Jornal da Ciência, principal publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Assinado pela presidente da entidade, Francilene Garcia, o texto destaca os resultados do estudo e defende o reconhecimento dos INCTs como uma política de Estado estratégica para a soberania científica e tecnológica do Brasil.
Publicado sob o título “INCTs: ciência de fronteira como questão de soberania”, o editorial repercute os resultados da Avaliação Estratégica dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, lançada recentemente pelo CGEE e pelo CNPq. O estudo analisou os 104 institutos e oferece o diagnóstico mais abrangente já realizado sobre o principal programa brasileiro de redes de pesquisa científica.
A avaliação foi construída a partir da análise de relatórios técnicos, formulários preenchidos pelos coordenadores dos institutos e aproximadamente 14 mil currículos da Plataforma Lattes. Segundo o editorial, os resultados confirmam a capacidade dos INCTs de produzir ciência de excelência, formar recursos humanos altamente qualificados e desenvolver pesquisas alinhadas aos principais desafios nacionais.
Criados em 2008, os INCTs reúnem pesquisadores e instituições de todas as regiões do país em torno de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento científico e tecnológico. O estudo evidencia que essas redes atuam em áreas como mudanças climáticas, oceanos, energia, biodiversidade, saúde coletiva, segurança alimentar e soberania tecnológica, contribuindo para a produção de conhecimento de fronteira e para a formação de novas gerações de cientistas.
No editorial, Francilene Garcia afirma que os institutos constituem uma verdadeira infraestrutura científica de Estado e ressalta que, em um cenário global marcado por disputas tecnológicas, transição energética, crises sanitárias e mudanças climáticas, a capacidade de produzir conhecimento próprio tornou-se elemento central da autonomia das nações.
Para a presidente da SBPC, os resultados da avaliação devem servir como instrumento de decisão para o aperfeiçoamento das políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação. O editorial defende o fortalecimento dos mecanismos de governança dos INCTs, a ampliação da articulação com ministérios e órgãos governamentais e a consolidação do programa como uma política de Estado de longo prazo.
O e-book Avaliação Estratégica dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia está disponível para consulta pública e reúne análises, indicadores e recomendações voltadas ao fortalecimento das redes de pesquisa e da capacidade científica nacional.
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