O papel do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) na formulação de políticas públicas e no planejamento de longo prazo para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil foi destacado pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante o evento “CGEE 25 mais 25: E se estivéssemos celebrando em 2051?”, realizado ontem (04), em Brasília (DF).
Em seu pronunciamento, a ministra ressaltou a contribuição histórica do CGEE para aproximar o conhecimento científico das decisões estratégicas do Estado brasileiro e destacou a atuação do Centro como parceiro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no processo de reconstrução e fortalecimento das políticas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) a partir de 2023.
Na avaliação de Luciana Santos, o país atravessou um período de restrições orçamentárias, descontinuidade de políticas públicas e negacionismo científico no governo anterior. Desde 2023, afirmou, o governo federal tem trabalhado para recuperar investimentos, fortalecer instituições, valorizar pesquisadores e pesquisadoras e restabelecer a capacidade do Estado de planejar o futuro com base em conhecimento e evidências.
“Recolocamos a ciência no centro do projeto nacional de desenvolvimento, entendendo que ela é estruturante. Não se pode falar de soberania nacional, de superação da nossa dependência, sem ter como pilar fundamental a ciência, a tecnologia e o domínio tecnológico”, declarou.
A ministra também relacionou o domínio tecnológico às disputas geopolíticas contemporâneas e à necessidade de o Brasil fortalecer a sua capacidade de produzir conhecimento e desenvolver tecnologias próprias, construindo uma agenda nacional de desenvolvimento.
Contribuições para as políticas de CT&I
Ao abordar a atuação do Centro recentemente, Luciana Santos destacou a participação na organização da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª CNCTI), realizada em 2024, após um intervalo de 14 anos. O processo mobilizou mais de 100 mil participantes em discussões sobre os rumos da ciência brasileira.
A ministra ressaltou o papel do CGEE na organização e mobilização da Conferência, assim como na sistematização das propostas, reflexões e análises produzidas ao longo do processo. Também destacou a contribuição da instituição para a elaboração da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que estabelece diretrizes para orientar as políticas públicas do setor na próxima década.
Outro trabalho mencionado foi o apoio técnico à elaboração do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), encomendado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT).
Entre as demais contribuições do CGEE, Luciana Santos citou os estudos sobre terras raras, considerados essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de novas cadeias industriais. Também destacou os trabalhos voltados ao desenvolvimento de uma capacidade brasileira de posicionamento, navegação e sincronização por satélite, iniciativa conhecida como "GPS brasileiro".
A ministra mencionou, ainda, os estudos sobre formação de mestres e doutores e a produção de conhecimento sobre percepção pública da ciência, biodiversidade, bioeconomia e desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ressaltou, igualmente, a importância dos observatórios do Centro e do programa Política com Ciência, que contribui para fortalecer a transversalidade das políticas científicas e tecnológicas e a utilização de dados e evidências na tomada de decisões governamentais.
“Esse conjunto de realizações demonstra que essa instituição é estratégica para o Estado brasileiro, que está em cima do lance nas principais agendas nacionais. É uma instituição que ajuda o país a entender o presente, antecipar transformações e fazer escolhas sobre o futuro”, afirmou.
Um Brasil para 2051
Ao abordar o tema da celebração dos 25 anos do CGEE, que propõe uma reflexão sobre o Brasil de 2051, Santos ressaltou a importância de pensar o desenvolvimento nacional para além dos desafios imediatos e dos ciclos de governo.
Para a ministra, as transformações tecnológicas aceleradas e as disputas internacionais pelo domínio de tecnologias estratégicas exigem que o país amplie a sua capacidade de produzir conhecimento, dominar tecnologias e agregar valor às suas riquezas naturais e à biodiversidade. “Não podemos aceitar que o Brasil seja apenas fornecedor de matérias-primas. Precisamos ser protagonistas da nova economia do conhecimento”, destacou.
Nesse horizonte, Luciana Santos defendeu um país que tenha superado a fome, reduzido as desigualdades e se consolidado como referência mundial em ciência, inovação, bioeconomia e sustentabilidade. Também mencionou a valorização de pesquisadores e pesquisadoras, universidades, empresas inovadoras e talentos da juventude nacional.
A transformação do conhecimento em empregos de qualidade, renda, oportunidades e melhoria das condições de vida da população foi apontada pela ministra como um dos objetivos desse projeto. “Esse futuro não será construído por acaso. Ele depende das decisões que tomamos hoje”, afirmou.
Ao concluir a sua participação, Luciana Santos parabenizou o CGEE pelos 25 anos de atuação e desejou que a instituição continue ampliando a sua contribuição ao desenvolvimento nacional. “Que os próximos 25 anos sejam cada vez mais de um CGEE mais forte, atuante e conectando os grandes desafios nacionais”, declarou.
O evento CGEE 25 mais 25: E se estivéssemos celebrando em 2051? é uma realização do Centro, com o patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do governo federal.
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