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O relatório servirá de subsídio para as próximas etapas de formulação da estratégia nacional.
O grupo de trabalho instituído para propor ações voltadas à implementação do futuro Sistema Brasileiro de Posicionamento, Navegação e Tempo (PNT) apresentou, na última quinta-feira (2), seu relatório final. O documento foi entregue durante reunião do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB), em Brasília (DF).
Em atividade desde 2025, o grupo foi coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e reuniu representantes de 14 órgãos do governo federal. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), por meio do Observatório de Tecnologias Espaciais (OTE), integra o grupo de trabalho, representado pelo diretor-presidente, Anderson Gomes, e pelo líder do observatório, Thyrso Villela.
O objetivo foi elaborar um estudo sobre as capacidades nacionais e propor ações para o desenvolvimento de um sistema brasileiro de posicionamento e sincronização de tempo, considerado estratégico para a segurança de redes digitais, sistemas financeiros e infraestruturas críticas.
No início deste ano, o CGEE apresentou estudos sobre o tema ao Grupo de Trabalho Interministerial coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), responsável por discutir uma estratégia nacional para o setor. As análises do Centro subsidiam a construção de uma solução com cobertura regional, voltada às necessidades do Brasil e da América do Sul, baseada em satélites de órbita baixa (LEO). Essa arquitetura oferece sinais mais robustos, maior resiliência a interferências e potencial de redução de custos em relação aos sistemas tradicionais de órbita média (MEO). A iniciativa acompanha a evolução das pesquisas internacionais e responde a uma lacuna estratégica identificada pelo CGEE há cerca de um ano.
Atualmente, os principais sistemas globais de posicionamento são o GPS (Estados Unidos), o Glonass (Rússia), o BeiDou (China) e o Galileo (União Europeia). O desenvolvimento de uma infraestrutura nacional é considerado estratégico para ampliar a autonomia tecnológica do país, reduzir a dependência de sistemas estrangeiros e fortalecer a segurança de serviços essenciais.
Para o diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes, o PNT, popularmente comparado a um "GPS brasileiro", vai muito além dos sistemas de navegação por satélite utilizados no cotidiano.
"O Posicionamento, Navegação e Tempo constitui uma infraestrutura crítica que sustenta desde a agricultura de precisão e o transporte aéreo até as operações financeiras e as redes de telecomunicações. No contexto nacional, já se consolidou como requisito essencial para setores como logística, construção, defesa, agricultura de precisão e infraestrutura. Os sistemas de PNT afetam, direta ou indiretamente, cerca de 8% do PIB brasileiro, podendo gerar impacto moderado sobre aproximadamente 24% do PIB quando se consideram os serviços de transporte de cargas. Esses números reforçam a importância de o país avançar no desenvolvimento de tecnologias próprias, capazes de reduzir a dependência de sistemas de outros países e aumentar a resiliência de suas operações estratégicas", afirmou.
A entrega do relatório contou com a participação da equipe do CGEE, do secretário-executivo adjunto do MCTI, Sérgio Cruz; do secretário de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Daniel Almeida; e do diretor de Programas de Inovação da pasta, Osório Coelho. Também participaram representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e das demais instituições integrantes do grupo de trabalho.
O relatório servirá de subsídio para as próximas etapas de formulação da estratégia nacional, incluindo ações de governança regulatória, fortalecimento da base industrial de defesa e aeroespacial, atração de investimentos e direcionamento de políticas de fomento à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à engenharia de ponta.
Com informações da Assessoria de Comunicação do MCTI.