Evento discutiu o papel do Rio de Janeiro como polo de IA aberta e soberana e buscou mapear a infraestrutura e colaboração para orientar a construção de política pública de IA
O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Caetano Penna, apresentou, ontem (16), durante o seminário “Rio como polo de IA aberta e soberana”, os principais resultados e as perspectivas do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O evento foi realizado na sede da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no Rio de Janeiro (RJ).
Penna, que foi supervisor do projeto de apoio à elaboração do PBIA, destacou que o plano é fruto de um processo participativo e interinstitucional, iniciado após o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2024, para a criação de uma política nacional de IA capaz de impulsionar o desenvolvimento soberano, ético e inclusivo do país.
“A partir daquela reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, o presidente Lula desafiou a comunidade científica e o MCTI a construírem um plano nacional de IA. O PBIA nasce dessa provocação, com uma visão centrada no ser humano, orientada à superação dos desafios sociais e fundamentada na soberania nacional”, afirmou o diretor.
Durante a apresentação, o dirigente explicou que o plano consolida ações já existentes e incorpora novas iniciativas estruturantes, articuladas em cinco eixos principais: inovação empresarial, infraestrutura e desenvolvimento, formação e capacitação, serviços públicos, e governança e regulação.
O PBIA prevê investimentos de cerca de R$ 23 bilhões ao longo de cinco anos, sendo 80% provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), gerido pela Finep, o que garante a sustentabilidade financeira do programa. O plano foi elaborado a partir de 117 instituições e mais de 300 propostas recebidas em oficinas com representantes da academia, do governo, do setor privado e da sociedade civil.
A apresentação trouxe, ainda, dados sobre o andamento do plano: 54 ações estruturantes estão em curso, sendo 25 já com entregas realizadas e 16 iniciadas. A Finep e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são os principais agentes de financiamento, com mais de R$ 5 bilhões já aprovados em investimentos diretos. “Queremos criar um ecossistema nacional de inteligência artificial que una pesquisa, inovação e formação de talentos, promovendo o uso da IA em prol do desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural do Brasil”, afirmou Penna.
Para concluir, o diretor destacou o potencial estratégico da cidade do Rio de Janeiro como centro de pesquisa e inovação em IA. De acordo com ele, a cidade reúne universidades de excelência, centros consolidados, infraestrutura digital de ponta e um ecossistema de inovação em expansão.
“O Rio tem todas as condições de traduzir o PBIA em ações concretas locais, articulando o nível federal com as iniciativas regionais. Mobilizar dados municipais e fortalecer o ecossistema de IA fluminense é um passo importante para consolidar o Brasil como referência em inteligência artificial aberta e soberana”, concluiu.
Sobre o PBIA
Lançado em 2024, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) propõe o uso ético, responsável e soberano da IA como instrumento de transformação do desenvolvimento nacional. Seu objetivo é fomentar a inovação, fortalecer a capacidade científica e tecnológica do país e garantir que a inteligência artificial contribua para o bem-estar social, a inclusão digital, a sustentabilidade e a soberania brasileira.
O plano é uma iniciativa estratégica do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), do governo federal, sob a coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o apoio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que orienta o desenvolvimento ético, seguro e sustentável da inteligência artificial no Brasil.
Com investimentos previstos de até R$ 23 bilhões em quatro anos, o PBIA busca fortalecer a capacidade nacional de pesquisa, inovação e aplicação da IA em serviços públicos e setores estratégicos. Entre as suas metas, está a aquisição de um dos supercomputadores mais potentes do mundo, a promoção da formação de talentos, a criação de ambientes regulatórios transparentes e o estímulo à adoção da IA como ferramenta de desenvolvimento nacional.
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