Bioenergia

Brasil compartilha 50 anos de sucesso do Proálcool para descarbonização global

Foto: Getty Images

O consultor do CGEE, o professor Luiz Horta, celebra o Proálcool e aponta a bioenergia como a energia mais promissora para a sociedade moderna, com avanços que reúnem sustentabilidade, economia e meio ambiente.

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A participação do professor Luiz Horta durante a celebração dos 50 anos do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), apresentou resultados de anos de experiência do Brasil nessa área da bioenergia que podem ser compartilhadas com diversos outros países por meio da cooperação técnica e capacitação. O evento, ‘Proalcohol 50 years and beyond’, foi realizado na última segunda-feira (22), no Centre for Environmental Policy da Imperial College London, em Londres, e reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros. 

A série de ações e políticas que inseriram o uso mandatório do etanol começaram no Brasil desde 1931. Em sua fala, Horta abordou não apenas o marco de cinco décadas do Proálcool, mas também o que o precedeu e as suas possibilidades de implementação: “A introdução de misturas de álcool e gasolina já tem uma existência de quase 100 anos, e com resultados muito interessantes. Essa longa experiência foi resultado de uma série de condições que levaram o Brasil a adotar isso, e um dos meus objetivos é analisar se essas condições também existem em outros países.”

Os 50 anos reúnem importantes avanços ambientais, econômicos e sustentáveis. Foram substituídos o uso de mais de 640 bilhões de litros de gasolina por bioetanol. Essa troca energética teve impactos na redução dos gastos com a importação desse insumo e significou uma economia de mais de R$ 725 bilhões. Os resultados também impactaram o campo de emissões de gases de efeito estufa (GEEs), com a redução de cerca de 1 bilhão e 360 milhões de toneladas de CO2. 

“É um volume expressivo, uma contribuição realmente muito grande para a mitigação das mudanças climáticas, que nos interessa tanto e é tão relevante para a sociedade mundial. Nós temos também um efeito pela geração de eletricidade com o uso do bagaço de cana de açúcar, resíduo da produção de álcool, que constitui, depois da hidroeletricidade, a principal forma de energia renovável de energia usada para produzir eletricidade no Brasil”, detalha Horta. 

O professor também articulou sobre o futuro esperado para a mobilidade. Com o Proálcool, o Brasil foi capaz de resolver problemas internos, promover desenvolvimento e oferecer ao planeta uma solução desejável. Devido a transição energética que ocorre mundialmente, a expansão das energias renováveis é notável, principalmente na geração de eletricidade, mas ainda existe uma grande dependência no uso de petróleo no transporte de coisas e pessoas. 

Horta acredita que a eletricidade ainda não se expandiu completamente. Ele acredita que talvez, uma das formas mais inteligentes de usar a eletricidade, seria associá-la ao uso de biocombustíveis, que são renováveis e de baixo impacto ambiental. "Há uma expectativa cada vez mais robusta de que esses combustíveis produzidos com alta eficiência ambiental e sustentabilidade serão a energia mais interessante para a sociedade moderna", afirma. 

O programa consolidou o etanol como um combustível renovável essencial, que hoje representa cerca de 50% do consumo em veículos leves no Brasil. Esse resultado é fruto, em grande parte, dos programas de melhoramento genético da cana-de-açúcar, conduzidos com eficiência, e da diversificação recente das matérias-primas utilizadas. Na apresentação, o professor destacou o aperfeiçoamento das técnicas, com adequação ambiental e aplicação na área agrícola, industrial e automobilística, e que não há, considerando as energias primárias envolvidas, tecnologia de transporte de passageiros que seja mais eficiente em termos de redução das emissões e eficiência.

Conhecimento na área de produção de biocombustível 

O Brasil desenvolveu uma base de conhecimento importante na área de produção de bioetanol e biocombustíveis, sobretudo na conversão de biomassas. O esforço nacional no desenvolvimento de conhecimento deve também cooperar com o setor de comercialização de combustíveis e automóveis, para propagar as vantagens do etanol. Porém, Horta destaca que a maior importância é a da articulação desse conhecimento com o estado, para a elaboração de políticas públicas.  “Há muitos preconceitos e desconhecimento. É muito importante que o Estado estabeleça planos, metas, mandatos de uso, e faça uma difusão dessas tecnologias, assegurando que elas não trazem problemas”, disse. 

Na ocasião, o resumo executivo lançado em 2024 para a formulação de políticas, o “Bioethanol: Fast Track to Mobility Decarbonization” (Bioetanol: Um Caminho Rápido Para Descarbonização de Mobilidade) foi usado como um exemplo que reforça a necessidade global de tecnologia, políticas públicas, experiência e conhecimento para expandir adequadamente a produção e a distribuição de biocombustível. O professor é o principal autor dessa publicação, que foi coordenada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos  (CGEE), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Sustentável (Bndes). O documento aborda como a maior parte das emissões de GEE vem do transporte rodoviário, o que torna a descarbonização do setor um dos principais desafios da agenda ambiental.

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