Internacional

Diretor do CGEE modera debates sobre competitividade, escalonamento e saúde em conferência da OCDE sobre missões

O encontro, em Paris, reuniu 290 formuladores de políticas, gestores de missões e acadêmicos de 33 países.

O diretor de Projetos Estratégicos e Relações Internacionais do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Caetano Penna, participou nos dias 24 e 25 de setembro da Mission Forward Conference 2026. A conferência foi organizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em sua sede, em Paris, com o tema "Shaping the Future Through Mission-Oriented Policy". O encontro foi convocado pelo Comitê de Política Científica e Tecnológica (CSTP) da OCDE, com apoio da Direção-Geral de Pesquisa e Inovação da Comissão Europeia, no âmbito da parceria entre a Comissão e a OCDE sobre missões.

Participaram 290 pessoas, representando 52 iniciativas orientadas por missões e 49 missões em 33 países. Esta foi a segunda edição do evento, que se reuniu pela primeira vez em Viena, em 2024. As discussões vão subsidiar uma publicação de referência da OCDE prevista para 2027.

Penna integra o conselho acadêmico que apoia a OCDE na preparação da conferência e foi convidado a moderar duas sessões.

Competitividade e escalonamento

No primeiro dia, ele conduziu uma das sessões temáticas sobre competitividade e escalonamento de missões. As sessões seguiram o formato fishbowl, em que os participantes se revezam no centro da roda de discussão. Na abertura, Penna retomou a formulação das missões, um dos temas centrais da edição de 2024. De acordo com ele, discutir competitividade exige olhar também para o tipo de mudança que a missão pretende produzir, e não apenas para a participação do setor privado.

"Muitos governos querem hoje missões que aumentem a produtividade e a competitividade. A questão é como adaptar a abordagem de missões a esse desafio e torná-la compatível com a sustentabilidade ambiental, a mitigação das mudanças climáticas e a inclusão social. Precisamos promover a competitividade sem abrir mão do Estado de bem-estar social", afirmou.

Penna destacou a legitimidade que as missões econômicas podem ter, por tratarem de temas sentidos diretamente pelos cidadãos, como emprego, renda e custo de vida. Essa legitimidade, porém, depende de inclusão social e de resultados visíveis no curto prazo. Ele também defendeu que trabalhadores e sindicatos tenham lugar na governança dessas missões.

Sobre escalonamento, o diretor alertou para a chamada "armadilha do P&D". "Boa parte das missões nasce em ministérios e agências de ciência e tecnologia, cujos instrumentos são bons para gerar soluções, mas pouco eficazes para levá-las à adoção. Escalonar exige passar o bastão para agências de inovação, bancos de desenvolvimento e fundos de investimento, e também para quem regula e para quem compra", explicou. Penna levantou, ainda, uma questão de fundo: quando uma missão pode ser considerada cumprida, e em que momento a política orientada por missões deve dar lugar a outras políticas que levem adiante a difusão das soluções.

Missões em saúde

No segundo dia, Penna moderou a sessão paralela sobre missões na área da saúde, com duas convidadas: Anabela Isidro, coordenadora do projeto europeu ECHoS na Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB) de Portugal. O projeto apoia a criação de hubs nacionais da Missão Câncer da União Europeia; e Patricia Debergue, diretora do programa Aging in Place Challenge do National Research Council do Canadá, voltado à qualidade de vida de idosos e de seus cuidadores.

"A saúde é uma das áreas em que os resultados de uma missão chegam mais diretamente ao cidadão, o que dá a essas missões grande legitimidade. O desafio é ir além de uma visão centrada em medicamentos e tratamentos e transformar o sistema que presta o cuidado, com a participação de pacientes, cuidadores e profissionais de saúde", disse.

Relevância para o Brasil

Os temas debatidos dialogam com a agenda brasileira. A Nova Indústria Brasil, política industrial do governo federal, está organizada em seis missões, e o CGEE apoia o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com estudos, monitoramento e avaliação de políticas de CT&I. "O debate internacional sobre missões entrou na fase de implementação, escalonamento e avaliação. É a mesma fase em que o Brasil se encontra, e há muito a aprender com as experiências apresentadas aqui", avaliou Penna.

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