Celebrar 110 anos da ABC é também reafirmar seu papel histórico na defesa ativa da ciência como política de Estado. Ao longo das últimas décadas, a Academia tem produzido documentos estratégicos que orientam o país em momentos decisivos, expressa, por exemplo, nos documentos dirigidos aos presidenciáveis.
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) celebra, em 2026, 110 anos de uma trajetória profundamente entrelaçada com o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil. Desde sua fundação, em 1916, a ABC tem atuado, não apenas como espaço de excelência acadêmica, mas como uma voz qualificada na formulação de agendas estratégicas para o país.
Este marco é, sobretudo, uma oportunidade de reconhecer o legado construído por sucessivas gerações de cientistas que ajudaram a estruturar o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI). Este legado se expressa na formação de talentos, na produção de conhecimento de excelência e na defesa permanente da ciência como bem público essencial ao desenvolvimento nacional.
Mas celebrar 110 anos da ABC é também reafirmar seu papel histórico na defesa ativa da ciência como política de Estado. Ao longo das últimas décadas, a Academia tem produzido documentos estratégicos que orientam o país em momentos decisivos, expressa, por exemplo, nos documentos dirigidos aos presidenciáveis. Esses documentos sintetizam consensos e anseios da comunidade científica e apontam caminhos concretos para o Brasil, defendendo, por exemplo, o fortalecimento estrutural do sistema de CT&I e a ampliação dos investimentos no setor, com metas como alcançar 2% do PIB.
Mais do que diagnósticos, essas contribuições reafirmam que Ciência, Tecnologia e Inovação não podem ser tratadas como agendas conjunturais, mas como fundamentos de um projeto nacional de longo prazo. A própria produção contínua de estudos e recomendações pela ABC, voltados à educação, à pesquisa básica e à inovação, evidencia seu compromisso com políticas públicas baseadas em evidências e com a construção de um país mais competitivo e socialmente justo.
Ao mesmo tempo, a celebração dos 110 anos projeta a Academia para o futuro. Em um cenário global marcado por desafios complexos — das mudanças climáticas à transformação digital —, torna-se ainda mais evidente a necessidade de integrar ciência, inovação e desenvolvimento. Iniciativas recentes da ABC apontam nessa direção, ao defender a valorização da pesquisa básica, a definição de missões nacionais e a articulação entre ciência e política industrial como pilares de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
É especialmente significativo que este momento histórico coincida com a liderança da primeira mulher à frente da Academia. Sua presidência representa um avanço institucional e simbólico, refletindo a construção de uma ciência mais diversa, inclusiva e alinhada com os desafios contemporâneos.
Na condição de presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social vinculada ao MCTI através de contrato de gestão, instituição dedicada à análise e ao apoio à formulação de políticas em ciência, tecnologia e inovação, e em nome de sua Diretoria, reconheço na Academia Brasileira de Ciências uma parceira fundamental, com uma representação ativa e proativa no Conselho de Administração do CGEE.
Dois aspectos comuns ao que produzem a ABC e o CGEE são a convergência entre produção de conhecimento e reflexão estratégica, que tem sido e continuará sendo decisiva para reposicionar a ciência no centro do projeto de desenvolvimento brasileiro.
Celebrar os 110 anos da ABC é, portanto, mais do que homenagear sua história. É renovar o compromisso com o futuro: um futuro em que a ciência brasileira seja plenamente reconhecida como eixo estruturante da soberania, da inovação e da qualidade de vida da sociedade.
Anderson S L Gomes (andersonslgomes@cgee.org.br) é Presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos e Vice-Presidente da ABC para o NE e ES.
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